Empregos estão congelados na capital mineira e região

Entidades da construção e da indústria têm expectativa de retração para os próximos meses

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Parado. Setor da construção civil espera melhorar número de lançamentos em BH no próximo ano para poder gerar mais empregos
GUSTAVO ANDRADE / O TEMPO
Parado. Setor da construção civil espera melhorar número de lançamentos em BH no próximo ano para poder gerar mais empregos

A situação do emprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte é de estagnação, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo os dados do Cadastro, no período de janeiro a agosto de 2014, as contratações ficaram com 50,19% do trânsito de empregados, enquanto os desligamentos foram de 49,81%. Com pequenas variações, os números de repetem nos setores de extração mineral, indústria de transformação, serviço industrial de utilidade pública, construção civil, comércio, serviços, agropecuária, extração vegetal, caça e pesca.  

Mesmo parecidos, os índices são avaliados de forma diferente pelos setores. “O que me preocupa é que na indústria de junho a agosto, tradicionalmente, há um crescimento de emprego porque as empresas estavam se preparando para atender o comércio no final de ano. Não percebemos isso em 2014. Não crescer nesse período já é uma notícia ruim para o setor” analisa Osmani Teixeira de Abreu, presidente do Conselho de Relações de Trabalho da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Já o vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marco Antônio Gaspar, enxerga “estabilidade” de empregos no comércio. “Foi um ano de manutenção de emprego para os comerciantes. A expectativa é que em novembro, alguns adiantam já em outubro, as contratações temporárias para as festas de fim do ano comecem e devemos ter um crescimento próximo do visto em 2013”, opina.

Na construção civil, a avaliação é mais pessimista. “O emprego está estagnado no setor. Está difícil aprovar projetos em Belo Horizonte em função das dificuldades impostas pela prefeitura, são poucos terrenos disponíveis, o setor está andando de lado”, afirma Walter Bernardes de Castro, vice-presidente de política, relações trabalhistas e recursos humanos do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

Para Walter de Castro, os poucos empregos disponíveis na construção civil serão na área de acabamento. “A tendência do construtor é não começar novos projetos, mas ele precisa terminar os que já estão aí. Por isso, os empregos serão para profissionais de acabamento que trabalham com gesso, paisagismo, pedreiro de acabamento”, afirma.

Tanto para os representantes da indústria como da construção, em 2014, a situação não deve melhorar. “Posso dizer que 2014 foi um ano perdido. Esperamos que o mercado melhore e que não haja desemprego”, conclui Osmani de Abreu.

Desemprego Taxa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego em Belo Horizonte, cresceu de junho para julho de 3,9% para 4,1%. Os dados de agosto não foram divulgados.

BH tem queda sistêmica de número de vagas desde 2013 As eleições foram apontadas como um dos motivos da estagnação do emprego. “Esse processo eleitoral está cheio de idas e vindas. Isso reflete no mercado” analisa Hélio Rabelo, sub-secretário de Trabalho e Emprego da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), porém, apontam para uma queda constante no número de pessoas ocupadas por setor. “A região metropolitana de Belo Horizonte adiantou uma tendência. O número de vagas vem caindo nos setores da economia desde janeiro de 2013. Em outras regiões metropolitanas como Salvador e Recife, a taxa de desemprego é maior, mas essa retração de vagas acontece há mais tempo aqui”, explica Antônio Braz de Oliveira e Silva, analista do (IBGE-MG).

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