Petrobras e Vale ajudam Bolsa a fechar em alta de 1,8%

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,90% sobre o real, cotado em R$ 2,348 na venda -maior valor desde 14 de março deste ano

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Depois de um tombo de mais de 2% no último pregão, o principal índice da Bolsa brasileira fechou esta segunda-feira (15) no azul, impulsionado por ações de grandes companhias como Petrobras e Vale.

O Ibovespa teve valorização de 1,79%, para 57.948 pontos. O volume financeiro foi de R$ 9,587 bilhões, estimulado pelo exercício de opções sobre ações, que movimentou R$ 3,237 bilhões nesta segunda (15).

"O mercado está tomando consciência de que a relação risco/retorno começa a ficar favorável pra compra (de ações) e algumas oportunidades vão aparecendo. É um reflexo do resultado muito negativo na semana passada, quando a Bolsa caiu muito bruscamente e os investidores buscam um respiro", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Para Leonardo Bardese, responsável pela área de estratégia da BGC Liquidez, a instabilidade deve continuar. "O ganho de terreno (na corrida eleitoral) da oposição fez com que Petrobras e outras estatais ganhassem bastante nos últimos meses. Na semana passada, porém, elas caíram, na esteira da melhora da Dilma em pesquisas. A disputa presidencial segue indefinida e isso motiva volatilidade", diz.

De acordo com o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), há registro de pesquisa Ibope com divulgação a partir de terça-feira (16) e levantamento Datafolha para a partir de quarta-feria (17). Há também pesquisa Vox Populi com divulgação já liberada desde o último domingo (14).

As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras recuperaram-se das quedas recentes e subiram 2,04%, para R$ 20,55 cada uma, com dados sobre produção da estatal também em foco e avaliados positivamente. Para o Credit Suisse, quando o fundamento voltar a prevalecer, esse números serão importantes.

Os papéis preferenciais da Vale encontraram suporte na alta dos preços do minério e subiram 1,70%, a R$ 25,67 cada um. O BTG Pactual, no entanto, ponderou ser difícil afirmar que a recuperação nos preços é sustentável, "especialmente com mercado super ofertado e com fechamentos de capacidade mais lentos que o esperado".

Os investidores, segundo Bardese, "precificam possíveis medidas do governo chinês para estimular o mercado interno, o que pode melhorar a demanda por minério, beneficiando a Vale".

Ainda na cena corporativa, relatórios de bancos destacaram informação de que a holandesa Heineken foi abordada pela SABMiller sobre uma potencial aquisição, bem como notícia de que Anheuser-Busch InBev está conversando com bancos sobre financiamento de possível oferta de aquisição de US$ 122 bilhões. No Brasil, a companhia controla a Ambev, que valorizou-se 3,75%, a R$ 16,05.

Câmbio

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,90% sobre o real, cotado em R$ 2,348 na venda -maior valor desde 14 de março deste ano, quando era cotado a R$ 2,363. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 0,34%, a R$ 2,344.

Segundo analistas e operadores, o movimento reflete, principalmente, a expectativa pela reunião do Fomc (comitê de política monetária do banco central dos Estados Unidos) nesta quarta-feira (17).

"Os Treasuries (títulos públicos dos EUA) já apresentaram uma alta considerável nos últimos dias diante da expectativa de aumento nos juros americanos, o que foi sentido nos mercados emergentes. Se o Fomc não subir (os juros), ao menos deve sinalizar quando começará a fazer isso. A sinalização já deve fazer o mercado ajustar suas posições", diz Figueredo.

O aumento nos juros dos EUA deixa os títulos do Tesouro americano, considerados de baixíssimo risco, mais atraentes aos investidores estrangeiros do que aplicações nos mercados emergentes. O receio é que haja uma fuga de recursos dos emergentes para os EUA após a decisão do Fomc. Assim, a menor oferta de dólares nos emergentes deve pressionar para cima a cotação da moeda americana nesses países.

O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4.000 swaps cambiais (operação que equivale a uma venda futura de dólares), sendo 3.900 com vencimento em 3 de agosto de 2015 e 2.100 com vencimento em 1º de outubro de 2015, pelo total de US$ 296,3 milhões.

A autoridade também promoveu um novo leilão para rolar 6 mil swaps que tinham vencimento previsto para 1º de outubro, por US$ 197,8 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 22% do lote total de contratos com prazo para o primeiro dia do mês que vem.

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