Aidar demite Juvenal e amplia crise política no Morumbi

Antecessor se disse traído após a demissão, que ocorreu em meio a uma conversa nada amistosa entre os ex-aliados

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Juvenal Juvêncio escolheu Carlos Aidar para ser o candidato da situação na próxima eleição
Andre Penner/AP
Juvenal Juvêncio escolheu Carlos Aidar para ser o candidato da situação na próxima eleição

A briga entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira. O presidente do São Paulo resolveu demitir seu antecessor, que ocupava atualmente cargo na diretoria das categorias de base. Além disso, ele afastou Marcos Tadeu Novais e José Geraldo Oliveira, homens de confiança do ex-presidente, que controlavam o CT de Cotia.

A demissão aconteceu no início da tarde desta segunda-feira, provocando um bate-boca entre os dois cartolas. Pessoas presentes ao encontro confirmaram que o tom foi ríspido de ambos os lados e cercado de muita tensão. Inconformado com a demissão, Juvenal não poupou críticas ao sucessor, para quem fez campanha, e disse que Aidar caminha para destruir o São Paulo.

"O Carlos Miguel é um predador que vai acabar com o São Paulo. Ele está demitindo todo mundo como um maluco e eu disse isso para ele. A traição é um processo terrível do ser humano e ele está traindo todos aqueles que o apoiaram", disparou Juvenal.

Aidar foi alçado à presidência com enorme apoio de Juvenal, que achou que o atual presidente - que já comandou o clube entre 1984 e 1988 - seria um nome de consenso para agrupar a situação, então fragilizada por causa do fim de gestão turbulento que quase culminou com a queda do São Paulo para a Série B do Brasileiro no ano passado.

Juvenal lembra que o time que está em segundo lugar no Campeonato Brasileiro foi montado pela gestão passada. "O Kaká caiu do céu e o Alan Kardec ele contratou com o dinheiro que deixei para ele em caixa, o mesmo dinheiro que ele dizia não ter. Sabe por que está tudo lindo para ele? Porque o time que nós montamos está ganhando", criticou.

O ex-presidente ainda foi além e disse que o rompimento com o antigo aliado e agora desafeto tem como único objetivo a aprovação da cobertura do Morumbi, que não saiu do papel graças ao bloqueio da oposição no dia da eleição - com boicote oposicionista, o Conselho Deliberativo não atingiu quórum de 75% necessário para a aprovação.

"Agora ele quer aprovar um projeto que ninguém sabe qual é, quem são as empresas, quanto custa, nada! E quer fazer isso com maioria simples, querem aprovar um pacote fantasma. Eu disse para ele: 'Carlos Miguel, você está fazendo um tratamento de beleza e acho que os remédios estão afetando seus neurônios'", contou Juvenal.

"Ele é capaz até de demitir o Muricy, porque o Muricy não aceita aquele monte de jogadores que o Carlos Miguel tenta empurrar. Lá dentro todo mundo sabe que ele é assim, por isso é bem capaz que uma hora ele demita o Muricy. Ele é um maluco", continuou o ex-presidente.

A reportagem tentou falar com Aidar, que não atendeu às ligações. Nesta segunda-feira, ele divulgou um comunicado que selou a saída de Juvenal Juvêncio do São Paulo. "Comunico o fim da colaboração do Dr. Juvenal Juvêncio na diretoria por mim presidida. São Paulo Futebol Clube reconhece a importante contribuição que Juvenal sempre deu ao clube, primeiro como diretor, depois como presidente e por último como diretor novamente", diz a nota.

"Neste momento em que o São Paulo Futebol Clube trilha novos caminhos, agradeço pessoalmente o empenho de Juvenal durante tantos anos e presto minha homenagem a esse grande são-paulino", encerra o comunicado divulgado por Aidar.

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