Moradores fecham avenida contra lixão existente na Vila São Paulo

Desde a instalação do lixão os moradores vem reclamando da qualidade de vida estar prejudica pela poeira gerada pelo estabelecimento

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Moradores fecharam a via com madeiras e pneus queimados
WEB REPÓRTER/ AMANDA CAROLINA
Moradores fecharam a via com madeiras e pneus queimados

Cerca de 100 moradores da Vila São Paulo, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, fecham a avenida Tereza Cristina para protestar contra um lixão que estaria prejudicando a qualidade de vida dos moradores da região. O estabelecimento Reciclagem Agregados Eireli foi interditado pela prefeitura da cidade na última quinta-feira (11) e reaberta por meio de uma liminar da Justiça no dia seguinte. 

Conforme Maria Geralda, de 45 anos, que é moradora do bairro há 22, a população não suportará mais os malefícios causados pelo lixão. "Tenho três crianças na escola e está insuportável. A poeira atrapalha todo mundo, inclusive as aulas. Sem falar que quando eles saem não tem como passar na rua por conta das caçambas deixadas por eles", explica. 

Os moradores estavam satisfeitos após a ação da Prefeitura de Contagem, porém, ao perceberem que a empresa voltou a funcionar, decidiram fazer uma manifestação, ateando fogo em madeiras e pneus, interditando o tráfego na via. "São muitas pessoas passando mal por causa disso, não é possível que o direito de uma empresa valerá mais que o da população", protestou Maria. 

Na última quinta-feira a prefeitura divulgou uma nota em que afirmava que no último dia 10 de abril a fiscalização de Meio Ambiente da prefeitura já havia visitado o local e embargado a empresa, que não tem licenciamento ambiental para funcionar. Entretanto, o proprietário conseguiu  em junho uma autorização na Justiça para continuar realizando as atividades.

Desde o início de seu funcionamento na Vila São Paulo, moradores da região relatam transtornos causados pelas atividades do lixão clandestino, como resquícios de sujeira e da poeira proveniente dos entulhos recebidos. É o caso do aposentado José Maria de Araújo, que enfrenta um enfisema pulmonar e é morador vizinho à empresa.

Ele chegou a afixar uma faixa na porta de sua casa pedindo socorro, uma vez que faz uso de oxigênio 24h. “A poeira tem sido um veneno para minha saúde, piorei muito depois dessa espécie de lixão ao lado da minha casa. Caiu demais minha qualidade de vida, minha falta de ar aumentou. É um absurdo a Justiça permitir isso em área residencial. Estou pedindo socorro”, disse.

Um comerciante também reclamou da poeira, do barulho e do trânsito causado pelo tráfego de caminhões. “O trânsito aqui fica insuportável, porque é uma quantidade absurda de caminhões caçamba, o tempo todo, e como não tem espaço suficiente, eles param em local proibido, vira um transtorno. Sem falar que tenho que jogar água na minha loja todos os dias porque senão pode danificar os equipamentos que vendo”, afirmou.

Conforme a Polícia Militar (PM), militares acompanham a manifestação que, até o momento, acontece de forma pacífica. Os moradores teriam alegado que só liberarão a via após a chegada da imprensa. O trânsito está complicado na região, que fica bem atrás da Vilma Alimentos, apesar da corporação não saber uma proporção do congestionamento. 

Outro lado

Procurado pela reportagem, o advogado da Reciclagem Agregados Eireli, Ronan Eustáquio Rocha, informou que a prefeitura divulgou erroneamente que o local se tratava de um lixão clandestino. "Temos um parecer ambiental, com um alvará de 1 ano que já venceu. A questão é que agora a renovação dessa autorização está correndo na Justiça. Mas temos laudo dos Bombeiros, da Transcon, da PM, até mesmo detalhamento com um engenheiro ambiental", disse. 

Após a interdição em junho, a defesa da empresa conseguiu uma ação anulatória para continuarem funcionando enquanto o licenciamento ambiental ainda estava em curso, uma vez que foram feitos investimentos, contrato de funcionários, entre outras coisas.

"A procuradoria fez um pedido de reconsideração para cassar essa liminar e fez um agravo de instrumento pedindo isso, mas ainda não foi acatado. Apesar disso, vieram na quinta passada e tornaram a interditar a empresa. Comuniquei o fato ao juiz, entrei com uma ação cautelar de atentado, por descumprirem a liminar. Foi concedida uma tutela parcial para que a empresa funcione até ele decidir sobre o pedido de reconsideração", explicou.