Queda marca fim de um drama

Famílias do entorno se emocionam ao ver estrutura que causou tantos transtornos destruída

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Temor. 
O casal Anita e Erasmo ainda teme que outra obra seja construída no local e que problemas voltem a ocorrer
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Temor. O casal Anita e Erasmo ainda teme que outra obra seja construída no local e que problemas voltem a ocorrer

Desde o início das obras, os moradores dos condomínios Antares e Savana, vizinhos do viaduto Batalha dos Guararapes, estão lidando com as dificuldades de ter praticamente na janela de casa uma obra de grande porte. Barulho de maquinário pesado em todas as horas do dia – e muitas vezes da noite –, trânsito intenso na porta de casa, poeira de obra que não dá sossego aos sistemas respiratórios. Depois, veio o estresse da queda de parte da construção, a tristeza de saber que vidas foram interrompidas ali, a insegurança de não saber o que poderia acontecer com suas casas. Em alguns casos, o desconforto de ser deslocado para um hotel.  

Para essas pessoas, o sentimento foi de um grande alívio com a queda da alça norte do viaduto, dando início às obras de demolição das ruínas. A implosão foi marcada para as nove da manhã. Mas os primeiros moradores dos condomínios começaram a chegar ainda antes das oito.

Com rostos tensos, muitos deles temiam que os prédios viessem abaixo com a queda do viaduto. “Com esse de hoje (neste domingo), serão dois impactos nos prédios em pouco tempo (contando com a queda da alça sul, em 3 de julho). O meu maior medo é o condomínio não suportar”, contou a funcionária pública Samantha Galvão, 39, moradora do Savana. Angustiada, ela segurava as lágrimas enquanto aguardava a implosão. “Minha maior vontade era que nada disso estivesse acontecendo. Queria que a vida voltasse ao normal”, desabafou.

Vizinha de Samantha, Wilma Gomes de Souza, 69, também sentia um misto de alívio e tensão. Moradora do condomínio há oito anos, ela aguardava ansiosa pelo fim de um ciclo em sua vida. “Minha maior vontade é sair no portão (de casa) e não ver mais aquele viaduto. Aquilo me causa mal desde que foi construído”, disse.

Além do barulho, da poeira e do trânsito, Wilma sente muita falta do comércio local. “A vida era muito tranquila. De repente, a gente se viu sem um supermercado perto, foram tirando tudo, ficamos à mercê da sorte”, comentou.

E depois? Mesmo com o alívio de, finalmente, ver o viaduto no chão, muitas famílias ainda não consideram esse o fim da história.

Moradores do 2º andar do condomínio Antares, o casal Anita Zambrano e Erasmo de Souza Mendes Junior está apreensivo com o que será feito no local. A dúvida é se outro viaduto será construído no lugar do que foi implodido, ou se será feita uma trincheira, ou qual outra solução será encontrada para a região. “Após a queda do viaduto, a gente não vive mais tranquilo, fica na tensão. Se (a Prefeitura) dissesse, a gente pelo menos ficava tranquilo. Mas eles ficam em cima do muro, e a gente não sabe o que fazer”, reclamou Erasmo.

Isolamento

Proteção. Além dos moradores dos edifícios ao lado da alça norte, todos os que têm casas em um raio de 200 metros da implosão saíram dos imóveis. Eles puderam retornar após as 9h30.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave