Meia-atacante Diney perdeu dois parentes para violência

História de vida do atleta também chama a atenção para a segurança pública no país

iG Minas Gerais | Antônio Anderson |

Pesadelo. Diney perdeu o pai, morto por assaltantes, e o irmão de 18 anos, assassinado por PMs após de ser confundido com um ladrão
FERNANDA CARVALHO
Pesadelo. Diney perdeu o pai, morto por assaltantes, e o irmão de 18 anos, assassinado por PMs após de ser confundido com um ladrão

Quem viu o atacante Diney, sorridente, acenando para a torcida do América, que gritava seu nome quando ele deixava o campo após marcar um dos gols na vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta, não imaginou o difícil caminho que o jovem jogador, de 23 anos, precisou percorrer para se tornar profissional. De uma família humilde de Goiás, Diney começou sua carreira em 2007. Naquele ano, ele dividia seu tempo trabalhando de manhã como ajudante de servente, entregador de gás e vendedor de balas e, à tarde, percorria cerca de 9 km a pé para treinar no Ovel-GO.  

“Meus pais trabalhavam como camelôs, e eu ajudava da forma como podia. Fui para o Ovel incentivado pelo meu pai, que gostava muito de futebol. Lá eu me destaquei como o melhor jogador do Campeonato Goiano sub-16, o que acabou despertando o interesse de outros clubes, como o Goiás e o Atlético-GO. Mas o Ovel tinha um convênio com o Cruzeiro e queria me mandar para lá. Só que tinha um olheiro do Atlético em Goiás, e, quando eu vim para Belo Horizonte, acabei acertando com o Galo”, lembrou o jogador, que chegou à base alvinegra em 2008 e conquistou a Taça BH de Futebol Júnior de 2009.

Diney teve sua chance no profissional do Atlético em 2010 com o técnico Dorival Júnior. Naquela oportunidade, ele disputou três partidas pela Copa Sul-Americana contra o Santa Fe da Colômbia e o Palmeiras. “Infelizmente, o Atlético não foi bem no Campeonato Brasileiro, e o Dorival Júnior saiu. Sem chances, acabei sendo emprestado para o Rio Verde-GO e depois para o Caldas Nova-GO para a disputa do Campeonato Goiano. Nesta temporada, a Caldense me contratou para a disputa do Mineiro”, lembrou o jogador, que marcou dois gols pela Veterana no Estadual.oportunidade.

Pai herói. Quando jogava na categoria de base do Atlético, ainda em 2010, Diney sofreu a primeira grande tragédia familiar de sua vida, que foi a morte do pai, Valdomiro Gomes dos Santos, 59, assassinado quando tentava defender a filha, de 7 anos, de uma tentativa de estupro. “Três homens entraram na lojinha do meu pai e queriam dinheiro. Como ele não teve para arrumar, falaram que iriam estuprar a minha irmã. Meu pai não deixou e entrou em luta corporal com eles e acabou sendo morto”, lembrou o jogador, que tinha o pai como um grande ídolo. “Foi um momento muito complicado na minha vida. Voltei para Goiás e fiquei dois meses por lá. Cheguei a falar em parar de jogar futebol. Mas, depois, com o apoio da família e me lembrando do meu pai, que sempre me incentivou no sonho de ser jogador, resolvi continuar. Foi quando me transferi para o Rio Verde-GO”, lembrou Diney.

O atacante destaca que até hoje, quando está sozinho, se lembra do pai e chora. “Nós éramos muito unidos. Meu pai era um grande incentivador e faz bastante falta na minha vida”, destacou o jogador.

Atleta se diz feliz em jogar no Coelho Apesar de ter propostas de Ponte Preta, América-RN e Ceará para a disputa da Série B, Diney escolheu ir para o América a fim de disputar a Série B do Brasileiro. “Já estava habituado ao futebol mineiro. A ideia de continuar em BH, defendendo um clube da tradição do América, acabou pesando para o acerto”, destacou o meia-atacante. “Estou muito feliz aqui. O clube me recebeu de braços abertos e meu deu uma oportunidade de mostrar o meu futebol”, finalizou. Diney tem contrato com o Coelho até o fim de 2015 e, no momento, se recupera de uma lesão muscular.

Perfil da carreira Nome: Valdisney Costa dos Santos Apelido: Diney Posição: Atacante Data de Nascimento: 2 de março de 1991 Natural de: Taguatinga (DF) Clubes: Ovel-GO (2007), Atlético (2010/2011), Democrata-SL (2011), Ipatinga (2012), Rio Verde-GO (2012), Caldas Novas (2013), Caldense (2014) e América (2014) Títulos: Taça BH de 2009 (Atlético), Campeão Mineiro de 2010 (Atlético), Torneio ICGT da Holanda, em 2011 (Atlético)

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