Direito negado pela Justiça

Decisão incomum bloqueia direitos federativos de atletas, que acabam ‘presos’ ao clube

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

‘Detido’. O volante César Romero, capitão do Ipatinga, espera liberação para jogar no Paraná
LEO FONTES / O TEMPO
‘Detido’. O volante César Romero, capitão do Ipatinga, espera liberação para jogar no Paraná

Ipatinga e Coronel Fabriciano. As mazelas para com o futebol pentacampeão mundial parecem não ter fim. Desta vez, a decadente gestão de um dos promissores clubes mineiros da última década, o Ipatinga – ou Betim, como é reconhecidamente registrado hoje na CBF –, aliada a uma incompreensível determinação da 4ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano está, simplesmente, proibindo atletas de trabalhar.

Em ofício enviado à confederação no último dia 3 de julho, o então juiz substituto do Trabalho, Uilliam Frederic D’Lopes Carvalho, solicitou o bloqueio dos direitos federativos (não apenas os econômicos) para todas as negociações de atletas do Betim registrados no clube (veja os documentos abaixo).

A medida visa confiscar quaisquer recursos financeiros que possam pingar nos cofres do clube para pagar uma dívida trabalhista de pouco mais de R$ 236 mil com o ex-treinador do time Mazola Júnior e seu auxiliar, Felipe Moreira, que moveram ação no início de 2013.

Assim, todos os 39 atletas que assinaram contrato com a equipe do Vale do Aço nas últimas dez semanas para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro estão “presos” ao Tigre até que seus vínculos se encerrem. A data final estabelecida para a maioria dos contratos é 30 de novembro.

O atual elenco do Betim, que se reuniu quando faltavam apenas 15 dias para o torneio, é formado por atletas emprestados, que estavam parados ou livres no mercado. Com salários atrasados e estrutura física longe da ideal, muitos jogadores acabam por deixar a equipe, contudo, não conseguem a liberação para atuar por outros times.

São os casos dos volantes Nando, 25, e Russo, 31. Depois de participarem de dois jogos pelo Tigre, os jogadores receberam, respectivamente, propostas do CAP Uberlândia, da Segunda Divisão do Mineiro, e do Rio Verde, de Goiás, da Segunda Divisão goiana.

Por causa do imbróglio, Russo, que tinha passado duas semanas treinando na nova equipe, acabou perdendo o prazo de inscrição no torneio estadual. “Não sabia desse impasse. Agora, acabei caindo nessa armadilha”, reclama o volante, que receberia o dobro do salário. Diante da situação, o jogador teve que voltar para casa, em Curitiba.

Nando também não está podendo jogar. “Eu já estava treinando há 25 dias. Meu treinador está esperando a liberação para eu jogar”, disse o volante. O CAP estreou no último sábado, contra o Uberaba, e ele ficou fora.

Pelo menos 20 atletas que estiveram no Betim recentemente e já deixaram o clube estão impedidos de assinar vínculo com outra equipe. Desses, quatro já entraram com medidas judiciais para rever a situação. Os demais que ficaram e ainda farão o último jogo do time pela Série D, no próximo dia 19, também estão atrelados ao clube.

Com proposta para atuar na Segunda Divisão do futebol do Paraná ainda em setembro, o volante César Romero está de mãos atadas. “É triste isso. Você ganha pouco, é mandando embora e, muitas vezes, é enganado. A gente fica indignado”, pondera o jogador, que é o capitão da equipe.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave