Dividir contas e ter companhia: é a república de aposentadas

Poder de compra caiu ao longo dos anos, e morar com outras pessoas reduz valor das despesas

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |


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DENILTON DIAS / O TEMPO
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O que os jovens e os idosos têm em comum? Não é raro que, no começo da vida, as pessoas se juntem para dividir uma casa e suas despesas, ou seja, formam uma república. O mesmo pode acontecer na terceira idade. Afinal, a aposentadoria pode não ser suficiente para manter sozinho um lar. Além do mais, dividir a moradia significa ter companhia.

Na casa de Maria Célia Soares, 63, são três senhoras aposentadas: ela e suas irmãs Maria Celeste Soares e Maria da Conceição Soares. “Além de dividir as contas, o bom é que uma ampara a outra. Temos um bom relacionamento”, diz. Há 12 anos, elas moram na mesma casa, mas cada uma mantém a individualidade em seu próprio quarto.

Uma das irmãs, Maria Celeste Soares, 71, reclama que o poder de compra do salário foi reduzindo no decorrer dos anos. “Tudo foi aumentando de preço. A minha vantagem é que sou bem pé no chão com dinheiro”, frisa. Ela diz que com a aposentadoria que ganha ficaria complicado morar sozinha. “O que mais pesa nessa fase da vida é o plano de saúde”, observa.

A aposentada Ângela Rios, 64, não paga aluguel e também divide a casa com uma irmã. Ela conta que com o dinheiro da aposentadoria paga as contas do cartão de crédito. “Por mais que a gente se cuide, tem os gastos com remédios”, diz. Para aumentar o orçamento, ela tem planos de voltar ao mercado de trabalho.

Aposentada por invalidez, Míriam da Silva Cachoeira de Araújo, 56, é outra que convive na mesma casa com a irmã também aposentada. “Tem que saber administrar o dinheiro. Eu faço milagre com a aposentadoria. A sorte é que não pago aluguel e moro com minha irmã”, afirma. Para ela, o benefício para os aposentados deveria ser hoje, pelo menos, R$ 1.000.

A irmã de Míriam, Maria da Conceição Cachoeira, 64, conta que divide a casa com a irmã há cerca de dois anos. “Eu morava sozinha e pagava aluguel. Hoje, dividimos as contas e tenho companhia”, diz. Com o dinheiro que deixou de gastar com aluguel, ela visita parentes no Norte de Minas e no Rio de Janeiro.

O presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais (FAP-MG), Robson de Souza Bittencourt, afirma que a situação financeira da maioria dos aposentados não é boa, o que faz com que muitos morem com filhos ou dividam a casa com algum outro parente. “Não é raro que eles acabem se tornando arrimo de família ou voltem a trabalhar para complementar a aposentadoria, que não é suficiente”, diz.

INSS

Renda. De acordo com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), em julho de 2014, o valor médio da renda mensal do total de benefícios pagos foi R$ 928,45.

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