Foguete a etanol é 1º do mundo

Combustível líquido é mais seguro, barato e sustentável do que os sólidos

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Iniciativa. Brasil lançou, no início do mês, o primeiro foguete nacional com combustível líquido
Força Aérea Brasileira
Iniciativa. Brasil lançou, no início do mês, o primeiro foguete nacional com combustível líquido

O foguete movido a etanol e oxigênio líquido lançado do Centro de Alcântara, no Maranhão, no início do mês, representa um avanço científico e tecnológico para o Brasil e para o mundo.

No âmbito nacional, esse é o primeiro foguete testado que funciona com combustível líquido – ao contrário dos anteriores, movidos a combustíveis sólidos. Já internacionalmente, o VS-30 é o primeiro foguete da atualidade a utilizar o etanol como propelente.

“Os primeiros foguetes alemães V-2, na Segunda Guerra Mundial, utilizavam etanol em concentrações mais baixas. Atualmente, desconheço outras experiências similares (no mundo)”, garante o coronel aviador Avandelino Santana Junior, coordenador geral da Operação Raposa – responsável pelo lançamento.

A iniciativa é vista positivamente por especialistas de várias áreas. “Seria de se esperar que o país que mais utiliza etanol no mundo fosse o primeiro a utilizar isso em seus foguetes”, avalia Gustavo Isaias, coordenador do curso de engenharia bioenergética da Universidade Fumec.

Segundo ele, uma série de vantagens coloca o etanol na frente dos demais combustíveis. Entre elas destacam-se o preço mais baixo, a fonte renovável, a maior sustentabilidade e a tecnologia de produção, que é dominada pelo país. Tudo isso, além da segurança. “Ele é mais seguro do que o propelente à base de hidrazina, um líquido corrosivo e tóxico, que precisa ser importado”, afirma o coronel Santana Junior.

Missão. O VS-30 foi desenvolvido com o objetivo de testar o Estágio Propulsivo Líquido (EPL). O sistema foi composto pelo Motor L5 e pelo Sistema de Alimentação de Motor Foguete (Samf). Ele atingiu 100 km de altitude, e seu voo durou 3 minutos e 34 segundos.

Todo o material caiu no mar, como era previsto na operação. Já que nenhum dos componentes apresenta riscos para o meio ambiente e os custos de recuperação seriam muito altos, os dejetos não serão recolhidos.

O foguete levou a bordo também um sistema de GPS especial para veículos espaciais desenvolvido por Francisco Mota, professor do departamento de Engenharia de Computação e Automação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O aparelho coletou dados de posicionamento e de velocidade em tempo real para monitorar a trajetória do foguete.

Avanço. O lançamento do VS-30 coloca o Brasil um passo mais próximo de seu objetivo, que é o lançamento de satélites. Atualmente, o país não é capaz de colocar em órbita seus próprios satélites e precisa contratar o serviço de outros países. Com o desenvolvimento dessa tecnologia, o Brasil passa de contratante para possível fonte do serviço para nações mais atrasadas.

Números do foguete VS-30

1999 foi início das pesquisas com combustível líquido no país

90 seg foi o tempo de funcionamento do motor L5 no ar

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave