“Às vezes, me sinto como um iPhone, por ter algo fazendo parte do meu corpo. Eu a considero como um brinquedo”

Rob Spence - Cineasta canadense tem uma câmera de vídeo no lugar de um dos olhos

iG Minas Gerais |

Rob  Spence - Cineasta canadense tem uma câmera de vídeo no lugar de um dos olhos
Divulgação Eyeborg Project
Rob Spence - Cineasta canadense tem uma câmera de vídeo no lugar de um dos olhos

Quais foram os principais obstáculos até conseguir desenvolver o equipamento? A engenharia do olho foi complicada, pois ninguém tinha feito isso antes. Uma pequena equipe acabou sendo o caminho, tanto para o orçamento, como para o equipamento. Você sente a câmera como uma parte integrada ao seu corpo? Realmente não. Eu considero uma câmera estranha, mesmo para um cameraman. Suponho, porém, que as pessoas acreditem nessa integração e, às vezes, me sinto como um iPhone, por ter algo fazendo parte do meu corpo. Eu a considero como um brinquedo. Como você se sente andando com uma câmera no olho? A primeira vez que eu usei tudo foi gravado em vídeo. Quando a câmera não está conectada ao meu cérebro, é apenas uma câmera de vídeo sem fio com um transmissor, que eu preciso verificar o sinal em um monitor para ter o retorno de vídeo. Depois, isso se tornou completamente normal para mim. É como usar uma câmera anexada ao seu corpo, como em um chapéu ou caneta-câmera em seu bolso da camisa. Como as pessoas lidam com a questão da privacidade? Eu sempre pergunto para as pessoas, quando falo em conferências, se eles acham que minha “eyecam” traz algum problema ético para eles. Eu sigo a mesma tradição dos jornalistas que usam câmeras secretas. Se vou gravar uma denúncia não é preciso pedir autorização. No futuro, você poderá conectar a câmera a uma rede, e todo mundo poderá seguir o seu ponto de vista? A minha ideia é colocar um tapa-olho no meu olho bom. Já encontro várias pessoas na internet me dizendo e ensinando como eu poderia me locomover pela cidade usando um fone de ouvido. Quais são as vantagens dessa câmera para um cineasta? O contato direto com os olhos pode ser muito especial. No meu caso, a ausência de grandes câmeras entre duas pessoas torna realmente a interação mais humana, não apenas pela maneira que o sujeito irá perceber você, mas na forma como o “eyecam” percebe os assuntos. Nesse tipo de gravação há menos movimentos mecânicos da câmera e mais interferências humanas, como tremores e imperfeições. A minha câmera captura uma melhor aproximação da forma como olhamos para o mundo, literalmente. Quero dizer, nós não olhamos para o mundo a partir de um guindaste descendo das árvores. Ela soa mais confusa, porém, é mais real. O que mais pode se desenvolver a partir de seu projeto? Acho que só vai continuar evoluindo para melhorar a resolução. Não é exatamente uma câmera prática, e existem outras tecnologias para restaurar a visão. Suponho que entre 20 e 100 anos as pessoas vão pensar em substituir os olhos com equipamentos de alta tecnologia. (LM) 

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