Prorrogação antes do fim?

TJ-MG e Oi Futuro negociam funcionamento do Klauss Vianna até julho de 2015; artistas preparam petição

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Guto Muniz
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Após anunciar, três meses atrás, que fecharia as portas em setembro, o Teatro Oi Futuro Klauss Vianna ganha sobrevida. Mas seu destino a longo prazo ainda permanece incerto, sob a ameaça de desaparecimento. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, novo proprietário do prédio ocupado pelo Oi Futuro no alto da avenida Afonso Pena, informa por meio de sua assessoria de comunicação que “está em negociação com representantes do Grupo Oi para que se efetive o funcionamento do Teatro Klauss Vianna pelo menos até julho de 2015”.

Para que o prazo estendido entre em vigor, “é necessário que estejam vigentes todas as licenças e autorizações exigidas pela legislação, bem como seja mantida toda a estrutura administrativa e de segurança pelos gestores destes espaços”, solicita o TJMG.

Sem porta-voz para o assunto, o Oi Futuro responde também por meio de sua assessoria de imprensa que “até o final deste ano, continuará com sua programação normal na avenida Afonso Pena” e “durante o primeiro semestre de 2015, apenas o Teatro Klauss Vianna funcionará sob a gestão do Oi Futuro”.

A previsão dos gestores é de que, em janeiro, as galerias e o museu do Oi Futuro devem ser desocupados para iniciar a transferência para a nova sede na praça da Liberdade; mas que o Teatro Klauss Vianna mantenha programação artística até junho do próximo ano. Em julho, começariam os preparativos para a entrega do teatro, que será realizada em agosto. A assessoria do Oi Futuro não sabe informar se o prazo é suscetível a nova negociação e o TJMG, questionado sobre a possibilidade, não retornou até o fechamento desta edição.

O novo teatro que será construído pelo Oi Futuro na praça da Liberdade terá outro nome, quase a metade da capacidade de espectadores (cai de 333 para 180) e as características do espaço também serão outras, com palco e arquibancada desmontáveis. A previsão é de que fique pronto até 2016. Diante disso, não se sustenta a justificativa ouvida pela reportagem do Magazine nos primeiros contatos com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Cultura de que o teatro não fechará, apenas mudará de local. O Klauss Vianna aumenta seu prazo de vida, mas continua com os dias contados e fadado a desaparecer, a não ser que a mobilização conjunta de população, artistas e poder público reverta a decisão. 

Reunião. A reivindicação da classe artística é para que o Klauss Vianna prossiga suas atividades no prédio da Justiça, seguindo modelos existentes no Rio de Janeiro, onde o TJ-RJ abriga o Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) e promove, desde 1999, um programa voltado às artes cênicas batizado de “Teatro na Justiça”; e em Porto Alegre, onde o teatro dentro do TJ-RS realiza ações formativas.

Na terça-feira à tarde, um grupo de quatro artistas (Arlindo Barros, Dulce Beltrão, Fernando de Castro e Raquel Pires), representando a classe artística da dança e do teatro, reuniu-se para uma conversa com o desembargador do TJ-MG Alexandre Carvalho. “Ele falou que parte do tribunal tem interesse em manter o teatro e parte quer transformar em auditório”, conta a bailarina Marise Dinis, uma das organizadoras da mobilização. O diálogo deixou o grupo mais otimista acerca da possibilidade de reverter a decisão de fechamento do Klauss Vianna.

Segundo a bailarina, o desembargador comprometeu-se a reunir-se com o presidente do TJ-MG. Para esse encontro, está sendo preparado um documento com o pedido de manutenção do teatro a ser assinado por artistas e interessados no teatro e na dança. Quem quiser apoiar a causa pode enviar nome completo, profissão e RG para o e-mail vivaklauss@gmail.com. “Vamos tentar o máximo de adesão”, diz Marise.

Executivo. A cobrança por apoio para preservação do teatro recai sobre a Secretaria de Estado da Cultura (SEC). “O fórum e a Associação Dança Minas já tinham levado essa pergunta [sobre o destino do teatro Klauss Vianna] para a SEC num documento em que listamos várias demandas e carências da classe, alguns meses atrás, mas não tivemos nenhum retorno ou posicionamento de disponibilização para interlocução”, comenta Marise.

Segundo a secretária Eliane Parreiras “existe uma confusão de algumas pessoas da classe cultural sobre a impossibilidade de interferência em outro poder”. A margem de ação da Secretaria de Estado de Cultura, braço do poder executivo, seria limitada diante do Tribunal de Justiça, pertencente ao poder judiciário.

“É algo muito delicado de ser trabalhado. Estamos falando de um poder independente e que tem consciência histórica e humanística”, explica Parreiras. Diante desse quadro, a secretaria acompanha o processo à distancia. “Nós encaminhamos uma síntese dessa demanda da área cultural e a respeito do histórico daquele espaço ao TJ. Participamos de maneira indireta do processo de prorrogação do prazo do Oi Futuro”.

Segundo ela, “o Governo de Minas tem conversado com o TJMG”. “A conversa é normalmente conduzida pelo próprio governador”, completa. A expectativa, no momento, é pela posição do novo presidente que recém assumiu o TJ-MG.

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