Todo poderoso

Trama de “Império” conquista bons momentos com protagonista complexo, vivido pelo ator Alexandre Nero

iG Minas Gerais | luana borges tv press |

Complexo. Alexandre Nero consegue levar a seu personagem momentos de rabugice e solidariedade
Globo
Complexo. Alexandre Nero consegue levar a seu personagem momentos de rabugice e solidariedade

Quase nunca o protagonista é o personagem mais interessante de uma novela. Mas Aguinaldo Silva consegue quebrar essa lógica com “Império”. De longe, José Alfredo, interpretado por Alexandre Nero, é a figura mais complexa e cativante da história. E foge completamente dos padrões heroicos de um papel masculino principal de um folhetim. Muito pela criação do próprio autor, mas também pela excelente e segura representação de seu intérprete. Aguinaldo enxergou em Nero a possibilidade de personificar um tipo excêntrico como José Alfredo. O personagem é rabugento, politicamente incorreto, mas tem seus momentos de ternura. Esse mix de contradições causa simpatia justamente por se tratar de um papel fácil de se acreditar. Afinal, é um homem como outro qualquer: cheio de defeitos e qualidades.

Nero soube captar com maestria a intenção do autor. E estreia no posto de protagonista com a responsabilidade de “carregar” toda a novela. Pelo menos nos meses iniciais, a trama está muito concentrada no núcleo de José Alfredo. As histórias paralelas começam a se desenvolver melhor agora. Mas ainda é evidente que o comendador é o personagem com mais tempo de tela. Não fosse pelo bom desempenho de Nero, talvez Aguinaldo tivesse de mudar sua ideia de justamente focar na trama de José Alfredo no início. O que, obviamente, não será preciso.

Quem acaba perdendo com essa estratégia, no entanto, são os núcleos paralelos. Por mais que as relações que José Alfredo estabeleça na novela sejam as mais instigantes em uma primeira análise, muitos outros personagens poderiam render pano para manga desde já.

Um deles é Cora, vivida por Drica Moraes. Para uma vilã de Aguinaldo Silva – famoso por criar malvadas como Nazaré Tedesco e Tereza Cristina, interpretadas respectivamente por Renata Sorrah e Christiane Torloni –, até que a personagem está bem boazinha. Por enquanto, fica, no máximo, com o título de “tia chata”. Mas isso não significa que a atriz não esteja bem em cena. Pelo contrário. Ela incorporou o jeitão amargo de Cora. E ainda consegue dosar o humor ácido, típico do autor, em vários momentos.

Talvez, um equilíbrio entre a importância dos personagens seja favorável à trama de “Império”. Mas é impossível negar que Aguinaldo Silva encontrou uma boa combinação entre papel e intérprete com José Alfredo e Alexandre Nero.

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