Cenário de estabilidade

iG Minas Gerais |

Os números de Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT), conforme pesquisa Datafolha publicada nesta semana, permanecem rigorosamente iguais aos dados de 15 de agosto, quando o primeiro levantamento após a morte de Eduardo Campos (PSB) foi realizado. Em um cenário no qual as duas se enfrentam em um segundo turno, a diferença, de 6 pontos percentuais, é idêntica à de um mês atrás. Isolado, correndo o risco de terminar a caminhada com apenas um dígito, o senador Aécio Neves (PSDB) tenta ainda disparar um tiro de misericórdia, apelando para uma “onda de consciência”, que, segundo ele, irá se abater sobre o eleitorado às vésperas do dia 5 de outubro. A julgar pelo comportamento de seus próprios cabos eleitorais e aliados políticos, a fala messiânica tem baixas possibilidades de se concretizar. A disputa já não pertence a ele. Por outro lado, a euforia petista após a recuperação de alguns pontos em relação às pesquisas anteriores, até pela estabilização da campanha de Marina Silva, não tem razão de existir. A comemoração serve mais como alento e necessidade de pôr para fora a angústia de uma iminente derrota do que a expressão de um sentimento real. Marina, mesmo com tanta pancadaria no lombo, mantém números sólidos. O Rio de Janeiro, onde os números são como uma montanha-russa, não pode servir de base, pois, a cada dia, eles se apresentam com uma variação destoante do dia anterior. São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, tende a ampliar a diferença entre a sonhática e a petista. Dilma, certamente, não terá seus números alterados nos Estados do Nordeste, com a óbvia exceção de Pernambuco. A surpresa está no Sul. Com eleitores mais críticos e escolarizados, os sulistas não seriam do tipo que se comovem com o sistema de bolsas usado como moeda de troca pela candidata da situação, mas foi entre eles que Marina caiu mais. A margem de atuação de ambas as candidatas está no aproveitamento do voto útil e, no caso de Dilma, na existência do chamado “voto envergonhado”. O pensamento que parte dos eleitores tem de aproveitar o voto, principalmente aqueles que ficarão com Aécio até 5 de outubro, representa vantagens para a candidata do PSB. Já aqueles que ainda não saíram do armário, com vergonha de tornar pública a sua intenção, até por se sentirem um pouco incomodados com as sucessivas denúncias de corrupção envolvendo pessoas próximas da presidente, são uma reserva a favor de Dilma. O cenário atual é mesmo de deixar o PT nacional com níveis de estresse acima do normal. A pancadaria, que se baseia no preconceito religioso e na associação inverídica de que a socialista é a candidata de banqueiros, não significou tantos avanços. A última rodada de pesquisas é mais uma acomodação de votos. Em nenhuma delas Marina ou Dilma marcou posições fora da margem de erro da série histórica que vem sendo construída desde a queda do avião.

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