Candidatos em guerra judicial

Em 70 dias de campanha, foram pelo menos 270 questionamentos entregues à Justiça Eleitoral

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda e Larissa Arantes |

Destempero. Pimenta da Veiga diz que Fernando Pimentel tem alegações raivosas
André Fossati/divulgação
Destempero. Pimenta da Veiga diz que Fernando Pimentel tem alegações raivosas

A ação apresentada pelo candidato do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, nessa quinta, contra seu principal adversário, Fernando Pimentel (PT), com pedido de impugnação do petista sob argumento de campanha antecipada e uso da máquina pública, não é a primeira dessa campanha. A disputa no Estado já está “judicializada” desde o início do pleito, em 5 de julho. Nesses 70 dias de embate, pelo menos 270 questionamentos foram entregues à Justiça Eleitoral pelos dois principais adversários na disputa pelo governo de Minas, conforme levantamento de O TEMPO junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas (TRE-MG). 

Quem mais tem usado a Justiça nesse período é a campanha tucana. As mais de duas centenas de ações propostas tratam de dois temas: pedidos de direito de resposta e questionamentos sobre a propaganda eleitoral. No primeiro item, a Justiça havia recebido até a tarde desta sexta 41 pedidos de retratação, sendo que 35 deles (85%) partiram das campanhas de Pimenta e Pimentel ou aliados. Desses, 26 partiram dos tucanos. Quando o assunto é publicidade o número é ainda mais expressivo, chegando a 237 questionamentos das equipes petista e tucana (88% dos pedidos). O lado de Pimenta da Veiga propôs 120 delas, enquanto Pimentel apresentou 117. Nesta sexta, Fernando Pimentel acusou seu adversário de “desespero” ao questionar o pedido de cassação de sua candidatura proposta pelo PSDB nessa quinta. “Não sobe nas pesquisas e usa todo tipo de recursos para tumultuar o processo eleitoral”, afirmou o petista numa referência a seu adversário. O PSDB pede a impugnação do PT alegando que houve uso da máquina pública quando o ex-ministro participou de eventos oficiais do governo federal no período de pré-campanha. “Não tinha nem candidatura ainda. Acho que isso não vai prosperar, confio na Justiça e faz parte dessas estratégias que eles estão usando, uma campanha agressiva, violenta contra nós”, completou. O petista alegou que “como cidadão brasileiro” tem direito de participar de qualquer evento público. “Não tem nenhuma vedação na lei. Não cometi nenhuma irregularidade. A campanha adversária perdeu totalmente o rumo e a noção. É uma pena”. Ainda segundo Pimentel, a campanha “muito agressiva e de clara difamação” do rival não dará certo. Ao saber que o adversário havia dito que a ação se tratava de “desespero”, Pimenta da Veiga respondeu: “A própria declaração demonstra destempero, mas nós vamos ver adiante. Essas alegações raivosas no meio da campanha não resolvem nada”, argumentou depois de uma reunião com sindicalistas que declararam apoio à campanha tucana em Minas. “Nós vamos continuar o nosso trabalho, que é um trabalho sério, um trabalho muito bem estruturado e vamos vencer as eleições. Depois nós vamos conversar”, completou o candidato.

Nos tribunais Média. Em menos de duas semanas, a média de ações protocoladas na Justiça Eleitoral em Minas pelas coligações dos dois principais candidatos aumentou de três para quatro por dia.

Visitas Dilma e Aécio

Os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) desembarcam hoje em Belo Horizonte para compromissos das campanhas. O tucano faz uma carreata na avenida Afonso Pena saindo da praça do Papa, na região Centro-Sul, até a praça Sete, no centro da cidade. A petista segue para a cidade de Nova Lima, na região metropolitana, pela manhã e depois vai para a capital mineira no Marco Zero da Pampulha para participar de evento com jovens.

Acordo Diante da possibilidade de que as duas campanhas se encontrassem hoje perto das avenidas Afonso Pena e do Contorno, PT e PSDB entraram em acordo para evitar confusão. A carreata de Aécio não vai percorrer a avenida do Contorno, no trecho onde o PT fará o “abraço na Contorno”, tradicional evento realizado próximo da eleição. De acordo com o PT, o partido foi procurado pelo PSDB nesta sexta e ambos chegaram à solução. Procurado, o PSDB não deu retorno à reportagem.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave