As memórias do colégio mais vanguardista da capital

O início, auge e decadência do Estadual Central em volume da coleção BH. A Cidade de Cada Um

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Ex aluno. Renato Almeida estudou durante dez anos no Estadual Central e conta sua experiência
ronaldo almeida/divulgação
Ex aluno. Renato Almeida estudou durante dez anos no Estadual Central e conta sua experiência

Pouca gente sabe, mas seu prédio é considerado uma das edificações mais importantes da cidade, com projeto de Oscar Niemeyer. Foi também a escola mais vanguardista do país antes de sua decadência, nos anos de 1960. O colégio Estadual Central acaba de ganhar uma obra em sua homenagem, escrita pelo jornalista Renato Moraes. O lançamento acontece hoje, na livraria Mineiriana, às 11h, e faz parte da coleção BH. A Cidade de Cada Um.

Desenvolvido em dois anos de pesquisas por Moraes, o livro “Estadual Central” (Editora Conceito) conta a história do colégio desde a existência do liceu que o originou, no fim do século XIX, em Ouro Preto; passando por seu apogeu em meados do século XX até os dias de hoje. Pelo colégio passaram grandes nomes da nossa história recente, de Dilma Rousseff, Elke Maravilha e Henfil a Tostão, Humberto Werneck e Lucas Mendes. Lá também estudaram Milton Campos, Fernando Sabino, Aníbal Machado e Hélio Pelegrino. Em sua história mais antiga, o liceu abrigou Getúlio Vargas, Artur Bernardes, Raul Soares e Afonso Pena Junior.

IMPORTÂNCIA. “Não existe experiência similar na história do Brasil”, conta Renato Moraes. O autor estudou durante dez anos no colégio, até 1960. “Nunca houve nada como a formação moral, intelectual e de personalidade do Estadual. Para ingressar na escola, as crianças prestavam uma espécie de vestibular. O aluno que passasse – de qualquer nível social – entrava. Ali ele tinha livre arbítrio. Não era obrigado a assistir aula ou usar uniforme. Tinha autonomia sobre sua responsabilidade ou compromisso. Isso aos 10 anos de idade. Mas as provas eram rigorosíssimas. E, se fosse reprovado por duas vezes, não poderia continuar na escola”, conta Moraes. O autor se lembra da profunda aceitação das diferenças de todos os tipos, tanto sociais quanto culturais, além de se tratar de um colégio público e laico sob gestão da Universidade Federal de Minas Gerais.

De acordo com Moraes, isso fez com que saíssem da escola ministros, cineastas, atores, jornalistas. “O colégio criou cabeças pensantes, à frente do tempo”, diz. Justamente por seu aspecto de vanguarda, sua decadência coincidiu com o período de ditadura militar. “Foi um dos principais focos de resistência nesse período, junto com a Fafich, a Escola de Economia e a de Medicina; apesar de nunca ter sido invadido”, afirma Moraes.

A escola mudou junto com o novo sistema de ensino implementado no Brasil, perdendo suas características originais e tornando-se um colégio público comum.

Agenda

Lançamento de “Estadual Central”, 124 págs, R$ 20, hoje, 11h, livraria Mineiriana (rua Paraíba, 1419)

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