Regiões nobres da capital concentram oferta de táxis

Uso de aplicativo para acionar serviço ocasiona tendência

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Escolha. 

Taxista contou que colegas que usam aplicativo 
(foto)
 preferem circular na região Centro-Sul
DENILTON DIAS / O TEMPO
Escolha. Taxista contou que colegas que usam aplicativo (foto) preferem circular na região Centro-Sul

A oferta de táxis em Belo Horizonte e na região metropolitana pode estar sendo direcionada para regiões mais nobres da capital. Taxistas ouvidos por O TEMPO relatam que profissionais cadastrados em aplicativos para serem acionados via smartphone priorizam transitar por bairros considerados nobres, onde encontram mais clientes que usam as ferramentas digitais – e funcionam mediante cadastro dos usuários, uma medida de segurança. Enquanto isso, quem precisa do veículo em regiões mais afastadas do centro reclama que tem sido cada dia mais difícil conseguir táxi, especialmente à noite.  

Segundo os relatos, as regiões prioritárias dos taxistas que usam os aplicativos são Centro-Sul e a Pampulha. O taxista Samuel Simões Soares, 53, tem observado a tendência. “Na Pampulha, sempre tem muita gente chamando por aplicativo, principalmente de madrugada.”

Outro taxista, Hermógenes de Almeida Carvalho, 54, já observou que nos bairros Belvedere e na Savassi, ambos na região Centro-Sul, há bastante chamada por aplicativo. “De modo geral, meus colegas que têm o aplicativo gostam muito e preferem circular na região Centro-Sul”, disse o taxista Hermógenes de Almeida Carvalho, 54, que ainda não usa o aplicativo.

Cadastrado no aplicativo Easy Taxi, Osvaldo de Almeida, 59, diz que a possibilidade de atender chamados sem intermédio das cooperativas melhorou em 100% o rendimento do serviço. “Quem tem o aplicativo pode priorizar onde sempre vai ter chamadas e escolher onde quer rodar”, afirma.

Desigual. A priorização de alguns locais pode estar levando a uma defasagem de táxis em outros. Moradora do Eldorado, em Contagem, na região metropolitana, a publicitária Patrícia Soares, 23, conta que é comum não conseguir o serviço no local. “É uma dificuldade enorme encontrar táxi, e a gente acaba ficando na mão”, diz.

Patrícia afirma que diversas vezes pegou o último metrô para voltar de festas e, ao chegar ao Eldorado, o ponto próximo à estação estava sempre vazio. “Outras vezes, quando falo que a corrida é pequena, muitos dão desculpa e preferem não fazer. Fico sem opção”, diz.

O problema se repete em outras regiões. Uma moradora do Barreiro disse que é “quase impossível” conseguir um táxi por meio de aplicativos, principalmente na região do Barreiro de Cima. “Parece que o número de taxistas da região que aderiu ao aplicativo é muito pequeno, então nunca tem táxi por perto. Já aconteceu de eu fazer o pedido e ficar quase uma hora esperando, com o aplicativo avisando que não havia veículo disponível”, disse, sob anonimato.

Saiba mais

Frota. A capital mineira possui atualmente 6.560 táxis, de acordo com levantamento da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). Mais de 12,5 mil taxistas trabalham na capital, entre permissionários (6.576) e auxiliares (5.984).

Alcance. Em Belo Horizonte, 111,4 mil passageiros andam de táxi todos os dias. São feitas 87,7 mil corridas diárias.

Aplicativo. Lançado em abril de 2012, o aplicativo Easy Taxi tem 200 mil taxistas cadastrados em 165 cidades e já foi baixado por mais de 10 milhões de usuários em 32 países.

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