Google e Amazon são ameaça a empresas de armazenamento

Solução pode ser dar espaço ilimitado e cobrar por outros serviços

iG Minas Gerais | Quentin Hardy |

Pivotagem. Aaron Levie, CEO da Box, na sede da empresa, fala sobre a reinvenção do serviço provocada pelas gigantes
Peter DaSilva/The New York Times
Pivotagem. Aaron Levie, CEO da Box, na sede da empresa, fala sobre a reinvenção do serviço provocada pelas gigantes

San Francisco, EUA. Nada concentra mais as mentes de uma start-up de tecnologia do que viver no meio de uma guerra de preços entre a Amazon e o Google. Basta perguntar a executivos de empresas como a Box, a Dropbox e a Hightail. Eles são os pioneiros de um serviço online que permite que indivíduos e empresas armazenem todo tipo de arquivos eletrônicos em um “cofre” fácil de usar. Mas, como costuma acontecer, empresas muito maiores gostaram tanto da ideia que decidiram fazer a mesma coisa – por um preço muito mais baixo.

“Esses caras vão derrubar os preços”, afirmou Aaron Levie, um dos fundadores e executivo-chefe da Box. Sendo assim, como evitar a gratuidade? A Box está tentando prestar serviços de armazenamento de dados especiais, como versões digitais de exames de raios X para empresas de saúde.

A Hightail, por sua vez, tenta fazer algo similar com clientes como firmas de advocacia. E o Dropbox? A empresa tenta garantir que seu serviço seja mais fácil de usar e amigável do que o oferecido por empresas maiores.

No setor de tecnologia, eles chamam esse tipo de reinvenção dos negócios de “pivotagem”. Em outras palavras, é uma forma de lutar pela sobrevivência da empresa. “Há lugar para todo mundo”, afirmou Amita Potnis, analista da IDC. “O foco da Amazon é apenas computacional. As empresas menores precisam se concentrar na interface com os usuários”. Por exemplo, afirmou, os serviços podem ajudar as empresas a colaborarem entre si pela internet, em vez de enviar diversos e-mails cheios de anexos.

Embora aparelhos e aplicativos chamem muita atenção, o armazenamento de dados é igualmente importante, em especial à medida que aparelhos como telefones, tablets e carros se transformam em apêndices da internet. Fazer a gestão de todos esses dados é um bom negócio. O problema para todo mundo é o preço.

Guerra de preços. Em março, o Google comemorou a unificação de diversos serviços de computação com cortes de custo de até 68% para a maioria dos clientes, chegando a cerca de um quarto do preço do serviço premium do Dropbox. O Web Services da Amazon, que diminuiu os preços ao menos quatro vezes desde 2008, chegou a apenas US$ 0,01 por mês para dados utilizados com menos frequência. Muitos esperam que a Microsoft, que também possui um serviço de armazenamento de dados chamado Azure, realize cortes similares.

Nenhuma empresa de armazenamento online duvida que a Amazon e o Google sejam capazes de adotar preços difíceis de acompanhar. Ambas são grandes o bastante para que o menor dos lucros seja gigantesco. Tanto a Box quanto a Hightail afirmam que precisarão oferecer espaço ilimitado aos clientes, transferindo os preços para outros serviços oferecidos. “Neste momento, é melhor dizer apenas ‘ilimitado’”, afirmou Aaron Levie, da Box.

O Dropbox ainda tem limites de armazenamento que começam em um terabyte, ou mil gigabytes, e os clientes podem fazer upgrades sem pagar mais. Essa abordagem pode funcionar, desde que as grandes empresas não se interessem por mercados de armazenamento de dados de nicho, ou criem serviços mais amigáveis. “Ninguém vai criar o Google Health Care”, afirmou Levie. Pelo jeito, ele será desmentido, e logo: “Soluções para nichos de mercado são uma tendência para o futuro e são parte central do que o Google está criando para seus clientes”, afirmou Tom Kershaw, gerente de produtos do serviço de armazenamento do Google.

Flash

Evolução. O primeiro aparelho capaz de armazenar 1 GB em 1980 custava US$ 120 mil e pesava 249 kg. O serviço de armazenamento na nuvem da Amazon pode custar apenas US$ 0,12 centavos ao ano por gigabyte.

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