Um romance platônico

Uma das estreias da semana, "Rio, Eu te Amo" tem cidade maravilhosa como cenário

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Regional: Durante sua estadia aqui o ator Harvey Keytel se apaixonou por açaí
WARNER BROS/DIVULGAÇÃO
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Se “Rio, Eu Te Amo”, uma das estreias da semana , não empolga, o longa também não chega necessariamente a decepcionar. Com dez segmentos cuja orientação aos diretores foi gravar, em 48 horas, um curta de cerca de sete minutos que se passasse no Rio, refletisse sobre a cidade e falasse sobre o amor, o resultado é irregular, mas dotado de certa uniformidade – em grande medida graças às transições entre um episódio e outro, dirigidas por Vicente Amorim.

Andrucha Waddington apresenta o primeiro segmento com (sua sogra) Fernanda Montenegro no papel de uma moradora de rua por opção. Se o argumento soa um pouco ingênuo – ainda que verossímil – a performance da atriz garante o envolvimento e a boa vontade do espectador para o que vier em seguida – o morno caso do idoso rico e doente casado com uma modelo jovem e displicente, dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino.

Só com Fernando Meirelles e a sinfonia no calçadão de Copacabana protagonizada por Vincent Cassel, no terceiro segmento, “A Musa”, é que o filme decola. E se mantém no alto com o diretor australiano Stephan Elliott, de “Priscilla, a Rainha do Deserto”, que, inspirado por sua própria história, fala do astro hollywoodiano que convence seu motorista brasileiro a escalar o Pão de Açúcar.

A projeção perde força com os dramas do boxeador que interrompe a própria carreira e a da esposa modelo após um acidente – dirigido pelo mexicano Guillermo Arriaga – e do homem que já não é mais amado pela mulher, dirigido por John Turturro e protagonizado por ele e a francesa Vanessa Paradis.

Tem algum respiro no curioso olhar estrangeiro do coreano Im Sang-soo, que viu vampiros nos garçons do Bar Luiz, tradicional restaurante do centro do Rio, mas volta a arrefecer nos segmentos de Carlos Saldanha e José Padilha, apesar das imagens belíssimas.

A melhor parte fica para o final, quando o menino Cauã Antunes rouba a cena do experiente Harvey Keitel e da diretora libanesa Nadine Labaki.

Vendendo um Rio idealizado, o filme funciona melhor para os interesses turísticos, maquiando as mazelas e compondo um belo cartão-postal.

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