Entra a técnica, vai-se o medo

Pioneiro no mercado, profissional prepara pessoas (até com psicólogo) para praticar esportes de aventura

iG Minas Gerais | Tânia Ramos |

Head-hunter. Vitor ainda busca pessoas com potencial para elevar o nível do esporte de aventura
Paulo Campos
Head-hunter. Vitor ainda busca pessoas com potencial para elevar o nível do esporte de aventura

Viver uma vida plena de aventuras é papel para os destemidos. Não necessariamente. Com o treinamento adequado, qualquer pessoa pode superar seus medos – de água ou de altura, normalmente os mais comuns – e se lançar cachoeira abaixo, montanha acima, mata adentro ou pelo ar afora. Quem garante é o jovem capixaba Vitor Braga, 27, um ex-bombeiro e ex-socorrista que, visando aliar atividade profissional com qualidade de vida, tornou-se, pioneiramente, um personal adventure.

Há seis anos à frente da empresa Personal Adventure, que, segundo ele, atende uma média de 20 pessoas ao mês, Vitor explica: “As atividades de aventura, por definição, são aquelas que envolvem riscos controlados, então, há sempre um desafio, uma superação de limites e o momento em que precisamos racionalizar os instintos”. Logo, o que nos faz dominar o medo e seguir em frente, acrescenta o autodenominado life coach, “é a segurança de que estamos fazendo a coisa certa, que se dá quando a pessoa tem o acompanhamento profissional do personal adventure”.

Medida certa

Para os casos de fobia, o acompanhamento, segundo ele, é ainda mais próximo e individualizado, com o suporte de técnicas de psicologia. “É um trabalho que surte efeito positivo e duradouro, mas que exige mais tempo e dedicação para se desconstruir o que, até então, impede a pessoa de superar seus medos”, diz, destacando que sua empresa conta com uma equipe multidisciplinar: um fisioterapeuta, que trabalha na reabilitação por meio dos esportes de aventura; um engenheiro, que projeta veículos e equipamentos de aventura; um designer de moda, que aponta as roupas ideais; um nutricionista, que especifica o cardápio para cada atividade; um educador físico, que planeja a preparação para cada esporte, e um psicólogo e um pedagogo que planejam os treinamentos e as dinâmicas de educação e desenvolvimento pessoal.

Segurança

Vitor ainda frisa que, antes de ser um aventureiro, o personal adventure é um experiente profissional de segurança, que sabe controlar os riscos e respeitar os limites, não permitindo que as pessoas aos seus cuidados ultrapassem as barreiras de proteção – ou seja, mantêm-se desafiadas, porém seguras. “A maior aventura é trabalhar a si mesmo, pois você aprende e se desenvolve com a experimentação e a reflexão”, filosofa.

No susto

Prática preventiva. Ao se descobrir com pressão alta, quando atuava no Samu e fazia curso de piloto, Vitor decidiu mudar seus hábitos, especialmente em relação à vida profissional, principal causador do stress.

 

Nasce uma profissão única

“Como não encontrei a profissão que eu queria, desenvolvi uma”, diz Vitor Braga, que hoje contribui para que muitas pessoas superem seus limites e possam praticar esportes até então impensáveis.

Mas, para isso, ele diz que se capacitou e treinou muitos anos. “Além de saber lidar com emergências, gestão de crise e treinamentos, o condicionamento físico também é imprescindível, já que, caso o cliente se canse, é preciso que eu assuma o controle e o carregue”, finaliza o atual estudante de psicologia.

Candidatos a aventureiros

Perfil. O maior público de turismo de aventura é de mulheres jovens, entre 18 e 45 anos, e de crianças e de adolescentes, de 10 a 17 anos. Reabilitação. Já no trabalho de treinamento e de reabilitação, é atendido todo tipo de público.

Demanda. Atualmente, as modalidades com maior demanda, segundo o personal adventure, são os esportes náuticos, já que Vitória é uma ilha, seguidos por voo livre e por roteiros off-road – as aulas de direção off-road também são muito requisitadas.

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