Arquivadas denúncias sobre CPI da Petrobras

Comissão de sindicância considerou que não houve vazamento de informações

iG Minas Gerais |

Presenteado. O deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) ganhou um helicóptero do doleiro Youssef
Antonio Augusto / Câmara dos Deputados - 2.09.2014
Presenteado. O deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) ganhou um helicóptero do doleiro Youssef

Brasília. Depois de 37 dias de investigações, a comissão de sindicância criada pelo Senado arquivou o processo que apurava as denúncias de que depoimentos da CPI da Petrobras haviam sido previamente combinados. Segundo nota divulgada pelo Senado, a comissão concluiu que não houve vazamento de informações que estavam sob a responsabilidade da CPI. Denúncias da Revista “Veja” indicavam que depoimentos de ex-diretores da Petrobras teriam sido ensaiados com antecedência, com base em perguntas de conhecimento dos governistas da CPI, cujo relator é o líder do governo no Senado, José Pimentel (PT-CE).

A comissão de sindicância funcionou por 37 dias, tomou 14 depoimentos, investigou as caixas-postais de correio eletrônico dos envolvidos, verificou o controle de acesso aos arquivos eletrônicos confidenciais, examinou os documentos utilizados como subsídio das reuniões da CPI e analisou os vídeos dos depoimentos, por diferentes câmeras, bem como o vídeo que originalmente fundamentou a denúncia.

“Ao término das investigações, a comissão, composta por servidores com notável formação acadêmica e experiência profissional, concluiu que não houve qualquer indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI ou de minutas de questionamentos que seriam formulados aos depoentes e manifestou-se pelo arquivamento do processo”, diz a nota.

Delação premiada. Enquanto isso, a delação premiada continua rendendo frutos. O doleiro Alberto Youssef, ligado ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que fez uma delação premiada na semana passada, teria dado de presente um helicóptero para o deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA). Essa informação foi dada pelo advogado Carlos Alberto Pereira da Costa à Justiça, também em acordo de delação premiada.

Pereira da Costa é uma espécie de laranja de luxo do doleiro: atuava como representante da GFD Investimentos e de duas empresas que o doleiro abriu nos EUA para esconder o dinheiro sem origem que acumulou, a Devonshire Global Fund e a Devonshire Latam Investments. Preso, ele fez delação premiada para conseguir uma pena menor.

Depoimentos

CPI. Em despacho nesta sexta à noite, o ministro Teori Zavascki, do STF, disse que não cabe a ele autorizar ou não os depoimentos na CPI da Petrobras, inclusive Paulo Roberto Costa.

Dilma não se preocupa com denúncias Brasília. Em sabatina nesta sexta no jornal “O Globo”, a presidente Dilma Rousseff (PT), disse não temer “de nenhuma forma” a delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. “Eu não temo de nenhuma forma esse tipo de revelação. Sabe por quê? Eu tenho absoluta certeza de que isso não afeta nem a mim, nem a pessoas pelas quais eu tenho elevada consideração e grande apreço”, falou Dilma.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave