Bolsa tem pior semana desde 2012 e dólar vai a R$ 2,33

Ibovespa perdeu 2,42%, para 56.927 pontos; é a pontuação mais baixa desde 14 de agosto, quando estava em 55.780 pontos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O acirramento da disputa pela Presidência da República na eleição de outubro levou o principal índice da Bolsa brasileira ao seu menor nível em quase um mês nesta sexta-feira (12) e fez o dólar atingir a maior cotação desde março deste ano.

O Ibovespa perdeu 2,42%, para 56.927 pontos. É a pontuação mais baixa desde 14 de agosto, quando estava em 55.780 pontos. O volume financeiro foi de R$ 9,877 bilhões -acima da média diária do mês de setembro, de R$ 7,927 bilhões. Na semana, o índice somou perda de 6,19%. Foi a segunda baixa semanal consecutiva e pior desempenho semanal desde o período entre 14 e 18 de maio de 2012.

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve forte valorização de 1,87% sobre o real, para R$ 2,327 na venda -maior valor desde 18 de março, quando estava em R$ 2,340. Ao longo do dia, a moeda chegou a ser cotada em R$ 2,365. Na semana, a valorização foi de 3,84%. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 1,56% no dia e 4,29% na semana, a R$ 2,336.

A principal referência nesta sexta-feira (12) foi o resultado da pesquisa Ibope divulgada pela manhã, encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

O levantamento Ibope mostrou a candidata do PSB, Marina Silva, com 43% das intenções de voto contra 42% de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. Na semana passada, simulação de segundo turno da pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e a TV Globo havia mostrado Marina à frente de Dilma com vantagem maior, com 46% contra 39%. A avaliação de analistas ouvidos pela reportagem é que a pequena diferença entre a candidata à reeleição e Marina em um eventual segundo turno preocupa os investidores, que apostam em uma troca de comando do Planalto.

"Com quatro pesquisas feitas após o vazamento do depoimento do ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, muita gente esperava um 'fato novo' que segurasse a recuperação de Dilma. Tudo indica que não foi dessa vez. Ao contrário, à medida que a candidatura Marina vai consolidando seu viés conservador, ela vai encontrando um limite para seu crescimento", diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora.

"Mais uma vez as pesquisas guiaram o rumo do mercado, que deixou de lado o desempenho da economia trazido pelo indicador do Banco Central. A Dilma ganhou espaço (na corrida eleitoral) e Marina perdeu. Assim, a diferença entre elas é pequena no segundo turno, o que indica que o resultado da eleição está indefinido. Por isso, o mercado vai continuar com volatilidade", diz Filipe Machado, analista da Geral Investimentos.

Leilões

No câmbio, nem mesmo os leilões programados do Banco Central conseguiram amenizar a alta da moeda americana frente ao real.

O BC deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no mercado, através do leilão de 4.000 swaps cambiais (operação que equivale a uma venda futura de dólares), sendo 1.000 com vencimento em 1º de junho de 2015 e 3.000 com vencimento em 1º de setembro de 2015, pelo total de US$ 197,7 milhões.

A autoridade realizou ainda um novo leilão para rolar 6 mil contratos de swap que tinham vencimento em 1º de outubro, por US$ 296,3 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 22% dos contratos com prazo para o primeiro dia do mês que vem.

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