Estações da Rede Sismográfica registraram rompimento da barragem

As ondas sísmicas de magnitude 3.0 na escala Richter foram sentidas até mesmo no estado do Amazonas, no Norte do país

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

CIDADES: ITABIRITO MG: ROMPIMENTO DE BARREIRA EM MINA SOTERRA TRABALHADORES
Tres funcionarios morreram e um ficou ferido e outros dois sairam ilesos do rompimento de uma barragem da empresa Herculano Mineracao, em Itabirito, na regiao Central de Minas Gerais. Os operarios ficaram soterrados na manha desta quarta-feira (10).
Os operarios realizavam a manutencao no talude de uma barragem de rejeitos, mas que estao com as possibilidades de reaproveitamento esgotadas. Dois caminhoes, uma retroescavadeira e um Fiat Uno foram atingidos pelo deslizamento de terra e os motoristas ficaram sob os escombros, desaparecidos. 
FOTO: MOISES SILVA / O TEMPO 10-09-2014
MOISES SILVA / O TEMPO
CIDADES: ITABIRITO MG: ROMPIMENTO DE BARREIRA EM MINA SOTERRA TRABALHADORES Tres funcionarios morreram e um ficou ferido e outros dois sairam ilesos do rompimento de uma barragem da empresa Herculano Mineracao, em Itabirito, na regiao Central de Minas Gerais. Os operarios ficaram soterrados na manha desta quarta-feira (10). Os operarios realizavam a manutencao no talude de uma barragem de rejeitos, mas que estao com as possibilidades de reaproveitamento esgotadas. Dois caminhoes, uma retroescavadeira e um Fiat Uno foram atingidos pelo deslizamento de terra e os motoristas ficaram sob os escombros, desaparecidos. FOTO: MOISES SILVA / O TEMPO 10-09-2014

Até mesmo estações da Rede Sismográfica do Brasil (RSBR) localizadas no estado do Amazonas, a 3 mil quilômetros de Itabirito, na região Central de Minas Gerais, registraram vibrações na forma de ondas de superfície decorrentes do deslizamento de terra ocorrido na última quarta-feira (10) com o rompimento da barragem de rejeito da Herculano Mineração.

A informação foi divulgada pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), que é uma das mantenedoras da RSBR, em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Observatório Nacional (ON). Com gráficos, a rede divulgou que os registros das ondas se deram por volta das 7h45, no horário de Brasília.

O registro das ondas sísmicas, que tiveram um período de oscilação que varia entre 20 e 30 segundos, correspondem a uma magnitude 3.0 na escala Richter. As ondas geradas pelo deslizamento de terra foram registradas em pelo menos 35 estações espalhadas por todo o território do país, inclusive a localizada no Amazonas.

George Sand França, professor do Observatório Sismológico da UnB, explica que a RSBR conta atualmente com cerca de 80 estações espalhadas por todo o país. "São equipamentos que capitam tremores dependendo de sua magnitude. Por exemplo, explosões provocadas por humanos possuem ondas que se dissipam muito rápido e, por isso, não chegam tão longe. Já no caso deste deslizamento de terra foi uma coisa mais superficial, eram ondas de frequência baixa. Por isso chegou até o Norte do país", explicou. 

Buscas

Continuam, desde o início da manhã desta sexta-feira (12), as buscas pelo operador de retroescavadeira Adilson Aparecido Batista, de 44 anos, que ficou soterrado com o rompimento da barragem da Herculano Mineração, na quarta-feira, junto com mais outros cinco funcionários da empresa. Pelo menos 20 homens do Corpo de Bombeiros trabalham no resgate.

Dos trabalhadores soterrados, dois saíram ilesos, um ficou ferido e outros dois já tiveram os seus corpos retirados da terra. Nessa quinta-feira (11), a corporação afirmou estar tendo muita dificuldade em localizar a vítima. "Como procurar uma agulha no palheiro", classificaram.

Os militares também contam com um drone e a Herculano Mineração se comprometeu em disponibilizar um GPR, uma espécie de raio-X que escaneia a área e separa o que é minério do que é orgânico. Batista teria deixado o veículo e teria sido atingido pelos rejeitos já fora da retroescavadeira, o que dificulta ainda mais a localização dele.