Além da objetividade

Sensações causadas pelo contato com a obra fazem parte dos critérios de escolha

iG Minas Gerais | Juliana Siqueira |

Galeria Juli Buli Estúdio, da artista plástica Juliana Buli, mostra relação natural e instintiva
Gustavo Xavier/ Divulgação
Galeria Juli Buli Estúdio, da artista plástica Juliana Buli, mostra relação natural e instintiva
Há muito o que se observar na hora de dar destaque a uma obra de arte em ambientes da casa. Todos os elementos podem harmonizar de uma ótima maneira com as cores, iluminação e objetos no décor. Para que isso aconteça, vários princípios podem e devem ser seguidos.   “As cores são muito importantes por influenciarem na decoração. Podemos utilizá-las a nosso favor, destacando as obras de arte com cores contrastantes ou harmônicas, sem que pese o ambiente. Por isso, é muito importante escolher a cor correta para harmonizar a decoração e as obras de arte”, afirma o arquiteto Roberto Fadel. Ter inspiração no dia a dia é uma das dicas que a artista plástica Juliana Buli dá para quem for escolher as cores e as formas das obras. “A arte vai fazer parte da sua vida”, destaca.   Alternativas no décor Além disso, quando o assunto é pesar o ambiente, muita coisa pode não passar de um simples mito. Um exemplo dessa realidade é imaginar que obras de arte não podem ser misturadas com outras de épocas diferentes. “Deve-se misturar obras diferentes, sim. Estamos em um momento na decoração de interiores em que tudo é valorizado”, frisa Fadel.   Uma lâmpada no lugar certo, por exemplo, pode transformar o visual de um espaço. Abusar da iluminação de maneira eficiente possibilita diferentes interpretações para uma mesma obra de arte, contribuindo para um cenário esteticamente bonito.    Conforme explica o arquiteto Roberto Fadel, “as obras possuem leituras diurnas e noturnas”, e isso pode ser observado em diferentes ocasiões. “Em meu ambiente na Morar Mais, as obras de Ricardo Carvão durante o dia passam a sensação de inacabadas por causa da textura de concreto. Já à noite, com iluminação de LED, tornam-se refinadas pela troca de cores proporcionada pelas lâmpadas”, diz. Juliana, por sua vez, destaca a importância de escolher uma iluminação que privilegie os objetos. “Uma obra de arte que se comunique com o morador é sempre a melhor escolha”, pontua.   Identidade  Não são somente as questões de cunho racional que permeiam as decisões de decorar a casa com obras de arte, harmonizando cores, móveis e espaços. Quando se trata de algo que tem caráter artístico, um dos elementos que devem contar é justamente o sentimento em relação à obra. "Tudo o que é bonito conversa entre si. Um ambiente com peças todas iguais fica meio morto. Quando há um diálogo, a mistura é sempre agradável. Muitas coisas ficam bonitas, sem que a gente saiba explica o porquê", diz Marcinho Ferreira, curador e diretor da galeria que promove a mostra Primavera na Sandra e Márcio.   O profissional, que na mostra apresenta uma seleção de vasos da Europa e Japão, cachepôs e floreiras dos séculos XIX ao XXI, dentre outros, no entanto, arrisca uma sugestão. “Você quer uma combinação perfeita? Nossos móveis mineiros combinam muito com peças chinesas. Por quê? Não sei, mas combinam”, diz ele, evidenciando as sensações que as obras de arte produzem.