População se mobiliza em prol da Mata do Arcádia

Embora a área de mais de 40 mil m² seja particular, os moradores do Centro de Contagem não estão de acordo com a construção de um empreendimento imobiliário

iG Minas Gerais |

Mata do Arcádia. Moradores temem pela preservação da fauna e da flora na área no centro da cidade
Facebook/Reprodução
Mata do Arcádia. Moradores temem pela preservação da fauna e da flora na área no centro da cidade

Nesta semana as redes sociais foram movimentadas pela indignação de dezenas de contagenses preocupados com o futuro da Mata do Arcádia, localizada no centro da cidade. Desde o início do ano a população vem se mobilizando contra a possível construção de um empreendimento imobiliário no local, que colocaria em risco toda a fauna e flora do ambiente. Os defensores da mata chegaram a criar uma página de repúdio que já conta com mais de 900 pessoas, que cobram a intervenção dos órgãos públicos.

Em agosto, a Associação dos Moradores do Bairro Arcádia de Contagem – MG (Ambar) arrecadou quase 2 mil assinaturas contra a construção do empreendimento.

Embora a área, que tem mais de 40 mil m², seja um espaço que faça parte da identidade paisagística do Centro de Contagem e atue auxiliando no controle do microclima da região, abrigando diversas espécies de animais e plantas típicas, o terreno é de propriedade particular. “O terreno é particular, porém, é um bem inventariado e está ao lado do Cemitério da Consolação, popularmente conhecido como “cemitério velho” – que é o primeiro bem inventariado do município de Contagem, sendo assim, proibida por lei, a redução da visibilidade e a concorrência em altimetria e volumétrica do bem tomado – o que será inevitável com a construção das torres”, afirma o engenheiro Cláudio Gomes, que mora na região e é um dos administradores da página que defende a mata.

Cláudio também afirmou que foi realizado um levantamento ambiental e judicial, baseado em documentos da própria prefeitura. “A população local é contra essa intervenção devido o projeto não atender a legislação vigente e não defender o patrimônio histórico cultural”, ressalta.

Na quarta-feira (9), membros do Conselho Municipal de Cultura e do Patrimônio Ambiental e Cultural de Contagem (Compac), representantes da empresa interessada no empreendimento e representantes da comunidade estiveram reunidos para debater a questão e, em uma votação acirrada, o primeiro passo para a aprovação da construção foi dado.

A votação ficou empatada em 5 a 5, sendo que houve um voto de abstenção. O desempate se deu devido o voto favorável da presidente do órgão. “Além de não apresentar nenhuma proposta para o trânsito local, a única contrapartida oferecida pelo proprietário foi a doação de 10 mil m² do terreno para a construção de um parque. Porém, a área só será doada porque é um espaço que não interessa a construtora, já que as leis do município não permitem a construção no local citado por ser um barranco”, aponta.

Após a polêmica votação, o advogado Rafael Braga de Moura, 28, que mora na região há mais de 20 anos utilizou sua página pessoal para desabafar toda sua indignação e, em entrevista ao , ele afirmou que está inseguro com o desenrolar da situação. “O que mais me preocupou foi o modo da votação, em que os todos os representantes da sociedade civil votaram contra o projeto, e os representantes do poder público, com exceção do representante da Seplan – a favor, o que nos da à impressão de que os outros passos podem já estar garantidos, como por exemplo o voto a favor da construção do representante da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade”, diz.O TEMPO Contagem

Para o advogado, “além do impacto cultural, o impacto aos vizinhos tombados e inventariados, também há o enorme abalo que causará no trânsito da área – que é, em sua grande maioria composto por ruas com faixas simples, já ficando sobrecarregadas nos horários de pico, sendo incompatível com o local a construção de três torres com 16 andares, oito moradias por andar sendo ocupados por 360 famílias”.

Próximos passos

Mesmo após a decisão pela continuidade do projeto, Cláudio Gomes afirma que a população não vai desistir de barrar o projeto atual. “Estamos lutando por essa causa desde 2011 e seguiremos de olho nos próximos acontecimentos. Não queremos que o proprietário fique no prejuízo, mas é necessário rever esse projeto sem visar apenas o lucro. Não vamos nos calar – pelo contrário, a ideia é nos mobilizarmos ainda mais e buscar apoio de outros órgãos envolvidos na causa ambiental”, garantiu.

Contrapartida

Em nota, a prefeitura de Contagem informou que o terreno é particular. Portanto, o proprietário tem o direito de empreender em conformidade com a legislação vigente, respeitando o Plano Diretor e as normatizações ambientais do município.

Quanto à reunião da última quarta-feira, foi informado que “uma vez que, ao lado do referido terreno, existe um pequeno cemitério em uma área inventariada, o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) foi questionado acerca da liberação para a construção de um empreendimento no local. Os conselheiros do Compac deliberaram e aprovaram pela continuidade da tramitação do empreendimento, já que não foi demonstrado nenhum dano ou qualquer prejuízo ao patrimônio histórico e cultural do município. Ressaltamos que o conselho é um órgão autônomo, com representantes do poder público e da sociedade civil”.

Além disso, foi ressaltado que para a aprovação do projeto junto ao Compac, o proprietário se comprometeu a doar uma área de 10 mil m² para construção de um parque ambiental, preservando toda a fauna e flora, com livre acesso da população.

Porém, até o momento, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirma que não recebeu nenhuma solicitação de aprovação de projetos para a referida área. No entanto, foi ressaltado que “não será autorizado qualquer tipo de ação que não respeite a biodiversidade da Mata do Arcádia”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave