Receita de bolo

iG Minas Gerais |

Dizem no interior de Minas que, para se fazer um bolo gostoso, é preciso mais do que uma boa farinha. Além de mãos vocacionadas à arte da culinária, é necessário experiência. Nem sempre as primeiras tentativas são bem sucedidas. A dica vale para tudo e se encaixa em qualquer análise. É apenas uma dessas dicas de autoajuda. Mas, ainda assim, nunca é demais lembrar. Remetendo a sabedoria popular para a política, é possível dizer que a construção de uma candidatura não é coisa simples e não se faz de um dia para outro. Quem aposta na instantaneidade corre grande risco de erro. Por mais que o eleitor brasileiro seja desatento e não se envolva com política, exceto em período eleitoral, ele tem memória. Nomes, fatos, positivos ou negativos, são sempre relembrados nessa época. Quem já tem uma trajetória, principalmente se for recente, tem mais chance de conquistar o eleitor ou de afastá-lo de vez. A política exige presença. O que acontece em Minas Gerais neste momento é um bom exemplo dessa exigência. O senador Aécio Neves, que, sem dúvida nenhuma, desde sua primeira eleição para o governo de Minas, foi se consolidando como a maior liderança do Estado, se depara com dificuldades agora – tanto na corrida presidencial quanto na busca pelo Palácio Tiradentes com o seu afilhado Pimenta da Veiga. Os motivos dessa dificuldade podem ser vários, mas sem dúvida levar uma campanha presidencial pesada e ainda ter que contribuir com a campanha para o governo de Minas não é tarefa fácil. Há pouco tempo, deputados estaduais e federais candidatos à reeleição reclamavam, longe dos gravadores, que estavam fazendo campanha somente usando o nome de Aécio. A reclamação envolvia a falta de recursos financeiros, mas também a dificuldade de trabalhar com o o candidato majoritário, Pimenta da Veiga, que, nos últimos anos, esteve muito pouco ligado a Minas Gerais. O contrário parece acontecer na campanha petista, em que o nome do candidato majoritário, Fernando Pimentel, ajuda a carregar os candidatos a deputado estadual. Importante lembrar que Pimentel, mesmo depois de sair da Prefeitura de Belo Horizonte, marcou presença em Minas Gerais na condição de ministro do Desenvolvimento da presidente Dilma Rousseff. Quem não aparece é esquecido. Essa é outra máxima da política. Mostrar a cara e estar presente é requisito fundamental para os candidatos. Assim, a estratégia de Aécio Neves de voltar mais para Minas Gerais parece ser muito acertada, mas é preciso avaliar se ainda haverá tempo para que ela se faça eficiente. As pesquisas mostram certa estabilidade nas intenções de voto do mineiro. É claro que pesquisa é só pesquisa, mas, geralmente, aponta um quadro que precisa ser considerado.

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