Voto de indecisos deve ser dividido

Pimenta da Veiga (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) devem crescer na mesma proporção atual

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Depois de dois meses do início da campanha eleitoral e um mês após o começo da propaganda política gratuita na televisão, especialistas consideram que a pesquisa Datafolha divulgada nessa quarta sobre as intenções de votos dos candidatos ao governo de Minas revela uma disputa estável e que apenas um fato excepcional poderia alterar o cenário atual. Apostando que o número de indecisos vai diminuir, eles avaliam que os que decidirem seus votos vão dividir a preferência na mesma proporção apontada pela consulta popular.

De acordo com o Datafolha, Fernando Pimentel (PT) lidera com 34%, contra 23% de Pimenta da Veiga (PSDB). Os indecisos representam 20% do eleitorado, e os que podem votar em branco ou nulo chegam a 9%. O diretor do instituto de pesquisas DataTempo/CP2, Antônio de Pádua, analisou a pesquisa Datafolha e observou que as intenções de votos dos candidatos do Estado são sólidas. Ou seja, Pimenta da Veiga e Fernando Pimentel não estão roubando votos um do outro. “As campanhas já caminharam bastante. Grande parte das pessoas já se decidiu. Para alterar essa composição, seria preciso um fato novo, um acontecimento diferente. Se isso não acontecer, Pimentel pode vencer no primeiro turno”, analisa. Apesar de Pimenta da Veiga dizer que vai buscar os votos dos indecisos para se igualar a Pimentel, a estratégia não deve alterar sua situação. “Temos 29% entre indecisos, brancos e nulos. O índice vai cair e deve ficar dentro da margem histórica de 20%. Mas, probabilisticamente, os que deixam de ser indecisos se distribuem na mesma proporção das intenção de votos. O candidato que está na frente, geralmente, atrai mais”, enfatizou. Para o cientista político da PUC Minas Moisés Augusto Gonçalves, os indecisos farão pouca diferença para os candidatos devido ao desgosto com a política. “A menos de um mês do pleito, não há tempo para recuperar a confiança do eleitor. Somente uma situação fenomenal poderia alterar o quadro atual”, argumentou. Esperança. Por outro lado, o cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Leal destaca que é justamente pelo alto número de indecisos que não se pode falar que a eleição está decidida. “Apesar de Pimenta da Veiga ter conseguido diminuir a diferença para Pimentel drasticamente e a campanha estar estável, tem muita gente que ainda não se definiu. Pode acontecer algo que altere a tendência do eleitorado. Tem que esperar as urnas”, ressaltou.

Distante Os especialistas acreditam que o distanciamento de Pimenta da Veiga do Estado por mais de uma década se reflete no seu melhor desempenho entre os eleitores com mais de 60 anos. “As pessoas mais velhas se lembram dele como um homem público”, afirmou Moisés Augusto.

Equilíbrio A menor diferença nas intenções de votos acontece entre eleitores que recebem até dois salários mínimos: 26% votam em Pimentel, e 21%, em Pimenta. Para Leal, o dado mostra que o eleitor de baixa renda tem dificuldade em distinguir programas dos governos federal e estadual.

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