Não haverá delação premiada

Advogado do doleiro Alberto Youssef diz que seu cliente não deverá colaborar com a Justiça

iG Minas Gerais |

Doleiro. Alberto Youssef está sendo orientado por seu advogado a não fazer a delação premiada
Marcos arcoverde/estadão conteúdo - 9.5.2014
Doleiro. Alberto Youssef está sendo orientado por seu advogado a não fazer a delação premiada

Brasília. Em meio ao vazamento das primeiras informações prestadas pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, à Justiça Federal, o defensor do doleiro Alberto Youssef é taxativo ao dizer que seu cliente não irá fazer delação premiada.  

Considerado como um dos pivôs de um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 10 bilhões, Youssef foi preso na operação Lava Jato da Polícia Federal realizada no último mês de março. Uma possível colaboração dele junto à Justiça poderia acelerar as investigações e trazer novos desdobramentos.

O advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto, afirmou nesta quinta que tem orientado o cliente a se manter em silêncio. “Não vejo motivo para ele colaborar, não tem que fazer provas contra ele. Não tem que ajudar ninguém, tem que ajudar só ele mesmo. Estamos na disposição de continuar enfrentando o processo”, disse.

Risco e humilhação. No entendimento do defensor de Beto, como também é conhecido o doleiro, a divulgação das primeiras informações sobre a delação de Paulo Roberto Costa no processo da Lava Jato demonstra falta de capacidade do Estado para garantir a segurança dos colaboradores. “O vazamento mostrou a falta de respeito pela pessoa do colaborador. Demonstra que não há segurança nenhuma para se fazer colaboração processual no Brasil porque, a partir do momento em que você se dispõe a colaborar e é tratado como um humilhado por uma revista e a informação não é preservada, demonstra que as autoridades não estão preparadas para garantir ao colaborador a segurança dele e de sua família. E que isso na verdade é tudo um teatro de horrores”, disparou.

O advogado também criticou a reação do Ministério da Justiça que solicitou à Polícia Federal investigar o vazamento. “A ideia de se abrir o inquérito para se apurar quem vazou soa pior. Depois que a porteira está arrombada, você quer concertar? Os vazamentos continuam acontecendo.”

Juiz suspeito. Na avaliação de Basto, não cabe, entretanto, um pedido de anulação do processo. Ao falar sobre a conduta de Youssef em se manter em silêncio nos depoimentos prestados até aqui, o advogado voltou o foco das críticas ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos inquéritos e processos da Operação Lava Jato. “O meu cliente não vai depor para um juiz suspeito”, ressaltou. Segundo ele, a mesma postura deverá ser adotada caso o doleiro venha a ser convocado para prestar esclarecimentos à CPI da Petrobrás. “É perda de tempo. Querem chamar o Beto, ele vai sentar lá e não vai falar”.

Isolados

PMDB. A cúpula do PMDB está irritada com o que considera um movimento articulado do governo para isolar o partido em meio às denúncias de envolvimento com caso Petrobras.

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