Melhores amigos num mundo de fantasia

Clássico de Maria Clara Machado chega a Belo Horizonte com direção de Cacá Mourthé e elenco cheio de estrelas

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Moral. Peça de Maria Clara Machado fala sobre o medo do desconhecido nas relações entre as pessoas
Guga Melgar / Divulgacao
Moral. Peça de Maria Clara Machado fala sobre o medo do desconhecido nas relações entre as pessoas

Se existe um reduto do teatro infantil tipicamente brasileiro esse lugar é o Tablado, no Rio de Janeiro. Com mais 60 anos de vida, a Escola foi fundada por aquela que, até hoje, é tida como a principal dramaturga e encenadora de peças para crianças no país: Maria Clara Machado. Filha do escritor Aníbal Machado, Maria Clara faleceu em 2001, mas sua obra e o Tablado seguem ativos sob a batuta de Cacá Mourthé, sobrinha da artista, que assumiu a direção artística do grupo. O público poderá comprovar se a obra de Maria Clara segue atual (ou não) quando “Pluft, o Fantasminha” se apresenta, no Teatro Sesiminas, neste fim de semana.

“É uma peça que a Clara nem gostava de ceder para outros grupos, de tanto apego que ela tinha. Além disso, toda vez que o Tablado estava mal das pernas, ela propunha uma nova montagem, porque sabia que seria sucesso de público”, se diverte Cacá.

O espetáculo conta a história de Maribel raptada pelo Pirata Perna-de-Pau, que busca o tesouro do avô da menina, o Capitão Bonança, morto no mar deixando por lá sua herança. Enquanto os amigos de Maribel, o trio João, Julião e Sebastião, saem à sua procura, o vilão esconde a menina no sótão de uma velha casa abandonada onde vive uma família de fantasmas: Pluft que nunca viu gente, a Mãe, que faz deliciosos pastéis de vento e vive conversando ao telefone com Prima Bolha, Tio Gerúndio, que passa o dia inteiro dormindo dentro de um baú, e Xisto, o primo aviador que surge apenas no final para ajudar no salvamento da menina.

“É uma peça para todas as idades. Por falar do medo que as pessoas têm do diferente, do desconhecido, a peça segue atual. Além do mais, é uma espetáculo com estrutura dramática muito simples, personagens ótimos, muito bens construídos”, garante a diretora. Cacá faz questão de exaltar o papel de precursora que sua tia Maria Clara tem. “Antes dela, o teatro (infantil) era feito de uma maneira pobre, ignorando as capacidades das crianças. A Clara pegava uma estrutura dramática clássica, Molière, por exemplo -, e transformava em teatro infantil”.

Reencontro. A última montagem de “Pluft” do Tablado foi há dez anos, quando o espetáculo completou 50 anos de vida. Para a nova versão, boa parte do elenco foi mantida, incluindo a atriz Cláudia Abreu que vive o fantasma e personagem principal, Pluft, na peça.

“Fazer o Pluft novamente tem sido um exercício de reviver o personagem, mas de recriá-lo também, pois não queria apresentar algo requentado e sim surpreendente, fresco. A experiência e a vivência adquiridas neste hiato entre as duas montagens sem dúvida me ajudaram nesta renovação do personagem”, comenta a atriz, que se diz “cria do Tablado”. “Aprendi tudo lá. Por isso faço questão de voltar sempre, assim renovo meus votos de paixão pelo teatro”.

Cláudia garante que no processo de criação de Pluft, ela se pautou apenas pelas linhas de Maria Clara Machado. “Tudo está no texto da Maria Clara, que é perfeito, lúdico e poético”, completa.

No hiato de 10 anos, Cláudia se tornou mãe de três crianças e, segundo ela, isso também pesou para que ela voltasse a viver o personagem. “Meus filhos adoram e vão sempre ao teatro. A oportunidade de ver a própria mãe encenando essa peça tão lúdica, vivenciar a atmosfera do teatro, transitando entre coxias e camarins, assistir à peça várias vezes e agora viajar como uma trupe de circo para lugares diferentes, tem sido para os meus filhos uma experiência única na infância”, finaliza.

Serviço. “Pluft, o Fantasminha”. Amanhã, às 16h e 18h e domingo, às 15h e 17h, no Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia-entrada)

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