Da bandeira à nova economia, referendo traz muita incerteza

Pesquisa mais recente indica que 52% dos escoceses são contra o país se tornar independente

iG Minas Gerais |

Campanha.
 Escoceses a favor da independência do país participaram de evento em Glasgow, ontem
Danny Lawson
Campanha. Escoceses a favor da independência do país participaram de evento em Glasgow, ontem

São Paulo. A votação que pode determinar a independência da Escócia após 300 anos de união com a Inglaterra está gerando dúvidas em todo o Reino Unido. Desde questões sobre identidade até o futuro econômico na região, a iminência do referendo e pesquisas de opinião que apontam uma votação acirrada ressaltam incertezas e trazem à tona tensões acumuladas historicamente entre diferentes grupos. De acordo com a última pesquisa do instituto YouGov, publicada nesta quinta pelo jornal “Daily Record”, 52% dos entrevistados se disseram contra a independência, enquanto 48% são a favor.

Os escoceses irão às urnas no próximo dia 18 de setembro e, caso o resultado seja favorável à secessão, já está marcada a data para a independência. Segundo o líder do Partido Nacional Escocês, Alex Salmond, que encabeça o movimento separatista, a partir de 24 de março de 2016 a Escócia se tornará um país livre. O dia marcará o aniversário de 309 anos do Ato da União, assinado pelo Reino da Inglaterra e pelo Reino da Escócia. É desse documento, de 1707, que deriva o nome Reino Unido.

Contudo, sem a Escócia, o significado por trás da denominação perde parte do sentido e até a bandeira britânica ficará bastante desatualizada. Levando em conta que País de Gales e Irlanda do Norte, que compõem o território britânico, nunca tiveram monarquias próprias, seria possível dizer que haverá uma união de reinos? E como ficará a bandeira do “novo” Reino Unido, sem o azul escocês?

Economia. Segundo analistas da Brown Brother Harriman, a economia escocesa está profundamente integrada ao restante do Reino Unido. Cerca de dois terços das exportações da Escócia vão para o território britânico, e o país é destino de aproximadamente 40% dos embarques enviados por Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales para toda a União Europeia.

Outro problema reside em uma possível fuga de empresas e instituições financeiras da Escócia independente para o Reino Unido. Os bancos Royal Bank of Scotland e Lloyds, por exemplo, já disseram que deixarão Edimburgo e irão para Londres em um eventual referendo favorável à independência.

Para líder separatista, vitória significa “país mais próspero” São Paulo. No campo político, os escoceses ocupam apenas 59 assentos – incluindo seis do Partido Nacional Escocês – das 650 vagas na Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido. Por outro lado, a Escócia possui um Parlamento próprio, com 128 lugares. A independência “significa que nós vamos sempre ter um governo no qual votamos. Vamos ganhar os poderes de que precisamos para promover a produtividade, o emprego e o investimento. Nós seremos capazes de construir um país mais próspero e uma sociedade mais justa”, afirmou o líder separatista Alex Salmond, em um discurso recente.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave