“Não é uma opção do festival usar grades nos shows”

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Público. Ano passado, fãs quebraram grades para ver Caetano Veloso
Pedro Vilhena/Divulgação
Público. Ano passado, fãs quebraram grades para ver Caetano Veloso

Há quatro anos, o festival Natura Musical desembarcou em Belo Horizonte com a proposta de ocupar as praças da cidade com shows gratuitos. Nesse tempo, apesar de trazer shows memoráveis de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola e agora um dueto entre Marisa Monte e Arnaldo Antunes, por exemplo, o evento ainda esbarra em limitações. Além da novidade deste ano de não permitir a entrada de bebidas e alimentos nas praças, a maior crítica do público ainda é quanto à exigência feita pelo poder público de manter grades cerceando os locais das apresentações.

A opção de colocar gradis nos locais de shows – com exceção da praça da Liberdade, onde o acesso será livre – é feita pela Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais (Comoveec), órgão subordinado à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), que em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, decide a forma de realização do festival em conjunto com a organização. A gerente de patrocínios e apoio da Natural, Fernanda Pavia, esclarece que desde o primeiro evento, em 2010, a organização tenta outras alternativas para evitar as grades.

“Isso é uma burocracia que enfrentamos. Não é uma opção do festival usar grades. Em todas as conversas com o poder público de Belo Horizonte, que sempre teve um diálogo aberto com a gente para realizar de bom grado o festival, tentamos questionar outras alternativas às grades, mas sem sucesso. O problema é que temos que seguir as orientações do poder público, que determina as grades como fator de segurança nesse tempo todo, mas até hoje não houve possibilidade de mudança disso”, diz.

No ano passado, como protesto à determinação, um grupo de dez pessoas chegou a quebrar gradis da praça da Estação e conseguiu entrar no show de Caetano Veloso à força. Procurada, a Prefeitura se limitou a informar, por meio de nota, que “a necessidade de cercamento da área do evento Natura Musical, na praça da Estação, foi deliberada pelo Comoveec, por motivos de segurança”. O órgão estadual informou, também por meio de nota, que “quando se faz o gradeamento e a limitação, é possível fazer a previsão do público, definindo ações que causem menor impacto à sociedade como um todo”. Questionado, o Comoveec não informou se haveria outra alternativa às grades para garantir a segurança do público.

Comes e bebes. Além de manter as grades, neste ano o Natura Musical não vai permitir a entrada de bebidas e alimentos nos locais de shows. A justificativa, segundo Fernanda Paiva, é garantir a segurança das quase 50 mil pessoas que vão ao festival. “Objetos cortantes, hastes de bandeiras, guarda-chuvas, tudo que possa servir como arma, além de alimentos e bebidas, serão vetados. Se a pessoa entra com um sanduíche de maionese e passa mal, a responsabilidade é nossa”, diz Fernanda. No site www.naturamusical.com.br é possível conferir a lista de restrições.

Por isso, o evento vai disponibilizar, além de uma UTI móvel em cada praça e 150 seguranças que vão revistar o público na entrada dos shows, um espaço de alimentação na praça da Liberdade e outro na praça da Estação, além de dois pontos para refeições na praça JK. No cardápio, sanduíches gourmet a R$ 12, salgados a R$ 5, chips por R$ 6, além das bebidas: cerveja (R$ 5), refrigerante (R$ 4) e água mineral (R$ 3). “Vamos garantir que não haja filas e trabalhamos por um preço acessível”, completa Fernanda.

AO VIVO. Quem não puder acompanhar os shows do Natura Musical nas praças, poderá assistir as apresentações ao vivo pelo link do aplicativo Vevo para iOS, Apple TV e Xbox, em 14 países.

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