Tudo começa na base

iG Minas Gerais |

Na semana passada, escrevi sobre categoria de base no futebol, e a repercussão foi muito grande. Dezenas de e-mails de leitores querendo contar experiências e relatar fatos acontecidos. Parece que todo mundo tem ou teve um craque na família, mas a história é sempre a mesma: sem oportunidade, foi fazer outra coisa que não jogar bola. É realmente difícil fazer teste nas escolinhas dos clubes grandes. Sobrenome famoso, influência e outras artimanhas ajudam até certo ponto. Depois, se não for bom, não tem carreira. Esses pernas de pau que temos aí no nosso futebol começaram em clubes pequenos, e basta um bom cruzamento para receber proposta dos desesperados grandes. Se bem que temos hoje a figura do empresário. Esses, sim, normalmente têm portas abertas. Temos também alguns papais famosos querendo o mesmo sucesso para os filhos, mas também não é fácil. Pelé não conseguiu. Zico também não. Bebeto ainda acredita no filho Matheus, que está no Flamengo. Abel Braga espera que Fábio estoure no Fluminense. Donizete Pantera tem Renan na base do Flamengo, e Bruno, no Volta Redonda. Macedo aposta no filho Lucas, que frequenta a base do Palmeiras. Muitos filhos de ex-jogadores começam e param sem que ninguém saiba. Romário tentou, Rivaldo ainda insiste.

Internacionais. Na Europa, a estrutura da base é um pouco melhor, mas a dificuldade de se fazer o sucessor é igual. David Beckham está com o filho Brooklyn em testes no Manchester United. Zinedine Zidane acompanha de perto os passos de Enzo Zidane no Real Madrid. O sonho de ser um jogador de futebol é universal, e a turma do Skank sabe muito bem disso.

Nada mudou. O nível dos estádios brasileiros melhorou muito no pós-Copa, mas e o futebol? Podemos dizer que a bola rolando não condiz com as novas arenas. Lógico que há exceções. Precisamos mudar rapidamente muita coisa dentro e fora de campo. Continuamos com resquícios de uma época em que vencer com gol de mão aos 48 min do segundo tempo era mais gostoso.

Transferência. Vai ser difícil o Cruzeiro conseguir segurar Everton Ribeiro. A proposta inicial já aumentou quase 50%. O Monaco, que falou inicialmente em € 10 milhões, já estuda enviar emissário com uma mala contendo cerca de R$ 50 milhões. A transferência seria na próxima janela, após o Brasileirão.

Velhos vícios. Tenho um olhar pessimista sobre o futebol brasileiro. Na torcida, vemos atos que nos remetem à barbárie. A arbitragem, sem apoio e preparo, não acompanha a velocidade do jogo e vai sendo massacrada. Os dirigentes não separaram paixão de negócio, e “gestão” ainda é uma palavra complicada. Já os jogadores estão preocupados em simular, enganar e levar vantagem.

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