Preço da carne sobe até 42% em um ano em Belo Horizonte

Alta da arroba do boi gordo por causa da seca e de exportações pesa no bolso do consumidor final

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Alta. De janeiro a setembro, média de aumento de 12 cortes em açougues de BH chegou a 21,86%
RICARDO MALLACO / O TEMPO
Alta. De janeiro a setembro, média de aumento de 12 cortes em açougues de BH chegou a 21,86%

Há um ano, um quilo de fraldinha nos açougues de Belo Horizonte custava, em média, R$ 9,87. Hoje, a média de preço é R$14,02 – uma alta de 42%, segundo pesquisa realizada pelo site Mercado Mineiro. Isso significa que esse corte de carne bovina aumentou mais de seis vezes em relação à inflação no mesmo período.  

Desde janeiro, a carne bovina na capital mineira sobe de preço, de acordo com a mesma pesquisa. No acumulado de janeiro a setembro, comparando os valores de 12 cortes, a média de aumento foi de 21,86%.

Outra pesquisa, realizada pelo Procon-MG, que comparou os preços de 17 cortes da segunda semana de agosto com os da segunda semana de setembro, concluiu que, no período, houve um aumento médio de 3,78%. “Todos os cortes de carne bovina tiveram aumento nessa pesquisa”, explicou Margareth Maria Cintra, gerente de pesquisa de preço do Procon.

Um dos motivos do aumento está nos pastos. O preço médio da arroba do boi gordo no Triângulo Mineiro, de 1º a 10 de setembro, subiu 24,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

De acordo com dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), nos últimos 30 dias, o preço da arroba sofreu incremento nas quatro regiões do Estado – com média de 4,34% de aumento. No acumulado de janeiro a setembro, a média de alta foi de 14,16%.

“Para o produtor, o preço da arroba está excelente. Com a possibilidade de chuva entre setembro e novembro, melhora ainda mais”, afirma Wallisson Lara Fonseca, analista de agronegócios da Faemg.

Para o presidente da Associação dos Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal (Afrig), o preço da carne ficou muito tempo sem subir, por isso, o aumento será absorvido pelo consumidor. “A carne está com o preço estável há 20 anos. O produtor vem perdendo dinheiro. Então, tinha que aumentar o preço, e estamos repassando para o nosso cliente. Temos que repassar”, afirmou Silveira, que completou dizendo que “no princípio, o povo acha ruim, migra para outra carne, mas depois acostuma”.

Já o analista da Faemg Wallisson Fonseca discorda. “O varejo não deveria repassar todo o aumento para o consumidor final, porque a tendência é o cliente diante do preço mais alto transferir o consumo para outros produtos como o frango, a carne suína ou mesmo o ovo”, opina.

Mais caro

Região. A região Norte de Minas foi a que teve maior crescimento no preço da arroba do boi, segundo a Faemg. Foram 6,19% de agosto a setembro e 18,67% no acumulado de janeiro a setembro.

Seca e exportação motivam aumento de preço Três fatores influenciaram o aumento de preços da arroba do boi gordo: a escassez do produto, a seca e o aumento das exportações, segundo o analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca. “Há três anos, a arroba estava desvalorizada, e muitos produtores abateram suas matrizes, o que diminuiu a quantidade de boi de reposição. Houve a seca no início do ano, que afetou as pastagens e a engorda das cabeças. Por último, teve um aumento de exportações para a Rússia, que já é o segundo maior exportador de carne brasileira, atrás da China”, disse. As exportações de carne bovina cresceram no Brasil 18% no primeiro semestre de 2014 em relação ao mesmo período de 2013.

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