Artistas vão à Câmara para protestar contra vereadores

Ato ocorreu após Dannier Copertine ser exonerado do cargo de presidente da fundação; Pãozinho foi o principal alvo do manifesto

iG Minas Gerais | Da Redação |

Sob o olhar do presidente da Funarbe exonerado, Dannier, Pãozinho (à dir.) não se pronunciou
João Lêus
Sob o olhar do presidente da Funarbe exonerado, Dannier, Pãozinho (à dir.) não se pronunciou

Quatro dias depois de o governo municipal exonerar Dannier Copertine do cargo de presidente da Fundação Artístico-Cultural de Betim (Funarbe), artistas da cidade foram até a Câmara de Betim, na reunião de terça-feira (9), para protestar contra o posicionamento de alguns parlamentares. O principal alvo das críticas foi o vereador José Afonso Oliveira, o Pãozinho (PV), que, no dia 26 de agosto, subiu à tribuna para criticar a gestão de Dannier à frente da Funarbe.

Na ocasião, Pãozinho o chamou de “irresponsável”, “incompetente” e o acusou de prejudicar o andamento da construção de um acesso na BR–381 que interligaria o bairro Jardim Petrópolis ao centro. A acusação foi negada por um funcionário da AutoPista Fernão Dias, concessionária responsável pela obra e que administra um trecho da 381.

Dannier também foi criticado na época pelos vereadores Eliseu Xavier (PTB), Marcão Universal (PSDB), Erasmo da Academia (PDT) e Antônio Carlos (PT). Por isso, os parlamentares aprovaram um requerimento convocando a presença do presidente da Funarbe ao Legislativo para prestar esclarecimentos.

Munidos de cartazes, apitos e usando nariz de palhaço, os manifestantes pediram, dentre outras coisas, a revisão do estatuto da Funarbe, a criação de uma CPI na Semas – acusada de ter desviado verbas durante a administração do então secretário da pasta, Léo Contador –, além de exigir o direito de fala de Dannier na tribuna.

Baixista da banda betinense Ozome e arte-educador na Funarbe, Thiago Amaral participou do protesto. Ele criticou o posicionamento de alguns parlamentares que, segundo ele, “querem fazer da Funarbe um curral eleitoral para conseguir votos”. “Nunca houve na Funarbe um representante da classe artística como Dannier, e, mesmo com ele, a entidade ainda está longe de atingir o ideal de uma fundação de cultura com o porte de Betim. A exoneração de Dannier, que iniciou importantes projetos para Betim, foi uma manobra política para os vereadores utilizarem a fundação para satisfazer seus interesses pessoais”, afirmou Thiago.

“Fui à Câmara apoiar uma causa, porque vi que a Funarbe estava abrindo espaço para todos os artistas de Betim. Porém, com a saída do Dannier, por causa da pressão de alguns vereadores, esse projeto será interrompido, e a Funarbe voltará a ser loteada por alguns parlamentares”, reclamou a cantora Carla Lima.

À reportagem, Dannier explicou que foi ao Legislativo para “ter a oportunidade de se defender e responder às acusações infundadas feitas por Pãozinho e pelos demais vereadores na tribuna”.

A reportagem questionou à prefeitura qual foi o motivo que levou o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) a exonerar Dannier da Funarbe. Por e-mail, a assessoria de imprensa declarou “que a atual gestão considera Dannier um profissional competente, comprometido e honesto, sendo um jovem promissor; entretanto, com o intuito de preservá-lo, tendo em vista alguns desgastes políticos, decidiu exonerá-lo, uma vez que o cargo que foi ocupado por Copertine é de livre nomeação e exoneração – conforme o Artigo 37, inciso II, da Constituição Federal –, sendo desnecessária motivação para o ato”, informou.

Desdém

O protesto realizado por dezenas de artistas betinenses na reunião da Câmara foi ignorado por Pãozinho (PV), Marcão Universal (PSDB), Eliseu Xavier (PTB), Erasmo da Academia (PDT) e Antônio Carlos (PT), parlamentares que criticaram, na reunião do dia 26 de agosto, a administração do então presidente da Funarbe, Dannier Copertine, recém-exonerado do cargo por Carlaile Pedrosa (PSDB), conforme publicação do “Órgão Oficial”.

Dannier chegou a interromper a reunião para pedir ao presidente da Câmara, Marcão (PSDB), que o autorizasse a subir à tribuna. Contudo, o vereador negou o pedido e explicou: “A convocação feita pelos vereadores foi para o presidente da Funarbe, mas como você (Dannier) não é mais o presidente de lá, não tem mais direito de subir à tribuna”. Em seu discurso, o presidente do Legislativo disse ainda: “se vocês (Dannier e demais artistas) quiserem direito de resposta, procurem o jornal (O Tempo Betim). Aqui ninguém vai falar nada”, disparou.

O vereador se referia a matéria publicada na última edição do semanário em que a Funarbe foi acusada por um servidor efetivo no Ministério Público de supostamente ter superfaturado o cachê de quatro shows.

Marcão foi chamado pelos artistas de “sem cultura” e rebateu as críticas, afirmando que os manifestantes eram “sem educação e não mereciam a nossa (vereadores) atenção”.

Já Pãozinho (PV), não se pronunciou durante a reunião. Porém, à reportagem, ele disse que “o direito de manifestar é de todos e está garantido na Constituição Federal”. “Se o Dannier foi exonerado, vocês têm que saber os motivos com o prefeito. Nós vereadores, não temos poder de exonerar ninguém nem pressionamos o prefeito para que ele saísse”.

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