Sem-casa protestam e acampam no hall da prefeitura

Famílias que invadiram área queriam conversar com prefeito; encontro foi marcado para esta segunda (15); grupo continua ocupando terreno no São João

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Revolta. 
Cerca de 60 representantes das 70 famílias que invadiram um terreno no bairro São João passaram o dia inteiro na prefeitura
FOTO: NELSON BATISTA / OTEMPO
Revolta. Cerca de 60 representantes das 70 famílias que invadiram um terreno no bairro São João passaram o dia inteiro na prefeitura

 

Cerca de 60 representantes das 70 famílias de sem-casa que invadiram um terreno no bairro São João em abril deste ano acamparam no hall da prefeitura na tarde da última terça-feira (9) em protesto contra um pedido de reintegração de posse do terreno pelo município. Os manifestantes só saíram do local depois de firmarem um acordo com representantes do governo: serem recebidos pelo prefeito Carlaile Pedrosa para uma conversa.   Segundo o presidente da Associação Comunitária do bairro São João, Renivaldo de Souza, 33, a reunião está marcada para acontecer nesta segunda-feira (15), às 14h30, no centro administrativo. “Tentei agendar um encontro com o prefeito em dez oportunidades, sem sucesso. Agora, ele vem com essa ordem de despejo. Vamos ficar na área, pelo menos até ele nos receber”, disse.   De acordo com o advogado dos manifestantes, Ailton Matias, 27, o ato foi uma forma de chamar a atenção das autoridades políticas do município. “Carlaile não nos atendeu, apenas montou uma equipe com a secretária de Governo, a procuradoria do município e o superintendente de Habitação. Esse grupo afirmou que será feito um estudo de qualificação social das famílias. Só que isso já tinha sido prometido em maio, sem nenhum resultado prático”, ressaltou.   Entenda Em matéria publicada por O Tempo Betim em abril, um morador da região, que pediu para não ser identificado, contou que as famílias entraram na área em forma de protesto contra o aumento da violência no local. Segundo a fonte, na ocasião, uma mulher havia sido vítima de tentativa de estupro. Pouco tempo depois, em maio, uma nova matéria mostrou que os sem-casa haviam sido surpreendidos por ação da Defesa Civil que tentou retirá-los do local. Vários barracos foram derrubados. Já no último fim de semana, antes de acamparem na prefeitura, as famílias foram informadas de que o município havia conseguido uma ordem de despejo e que elas teriam que sair do local.   Resposta A assessoria de imprensa da prefeitura informou que foi emitido um mandado de desocupação por tratar-se de uma ocupação irregular entre uma área pública e outra área particular. “Além disso, foi firmado um acordo que prevê que uma equipe de técnicos da prefeitura irá fazer um acompanhamento social com os moradores da área”, informou a nota, além de ressaltar que os trabalhos foram iniciados na quarta (10).   Sem políticas habitacionais efetivas, o município tem registrado cada vez mais invasões de áreas públicas. Após mais de um ano, a prefeitura ainda não conseguiu viabilizar a construção das 6.000 moradias anunciadas para pessoas cadastradas no Programa Minha Casa Minha Vida. Pelo convênio assinado no início de 2013 pelo Executivo, seriam investidos R$ 390 milhões em novas unidades até 2015.    Depois de meses de atraso, apenas os empreendimentos São Marcos I e II, no Citrolândia, foram concluídos, em julho. Mesmo assim, na ocasião, beneficiários reclamaram de vidros quebrados, falta de água e até falta de extintores. 

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