Lixão clandestino é interditado pela prefeitura na Vila São Paulo

Moradores da região reclamam bastante da poeira e de outros problemas gerados pela empresa

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Lixão já havia sido interditado outra vez pela fiscalização
Elias Ramos/Prefeitura de Contagem
Lixão já havia sido interditado outra vez pela fiscalização

Um lixão clandestino, localizado na Vila São Paulo, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi interditado nesta quinta-feira (11) pela prefeitura da cidade. Além do local ser fechado, a empresa responsável, Reciclagem Agregados Eireli, também foi multada pela Fiscalização de Posturas por estar com o alvará vencido e ter outras irregularidades. 

Ainda segundo a assessoria da Prefeitura de Contagem, no último dia 10 de abril a fiscalização de Meio Ambiente da prefeitura já havia visitado o local e embargado a empresa, que não tem licenciamento ambiental para funcionar. Entretanto, o proprietário conseguiu  em junho uma autorização na Justiça para continuar realizando as atividades.

Desde o início de seu funcionamento na Vila São Paulo, moradores da região relatam transtornos causados pelas atividades do lixão clandestino, como resquícios de sujeira e da poeira proveniente dos entulhos recebidos. É o caso do aposentado José Maria de Araújo, que enfrenta um enfisema pulmonar, e é morador vizinho à empresa.

Ele chegou a afixar uma faixa na porta de sua casa pedindo socorro, uma vez que faz uso de oxigênio 24h. “A poeira tem sido um veneno para minha saúde, piorei muito depois dessa espécie de lixão ao lado da minha casa. Caiu demais minha qualidade de vida, minha falta de ar aumentou. É um absurdo a Justiça permitir isso em área residencial. Estou pedindo socorro”, disse.

Um comerciante também reclamou da poeira, do barulho e do trânsito causado pelo tráfego de caminhões. “O trânsito aqui fica insuportável, porque é uma quantidade absurda de caminhões caçamba, o tempo todo, e como não tem espaço suficiente, eles param em local proibido, vira um transtorno. Sem falar que tenho que jogar água na minha loja todos os dias porque senão pode danificar os equipamentos que vendo”, afirmou.

A cabeleireira Maria Geralda dos Santos vive na Vila São Paulo há 15 anos, e, desde a implantação  do lixão, teve pneumonia e uma de suas três filhas foi internada com crise de bronquite aguda devido à poeira. “É um pó preto que a gente não sabe do que vem que ficamos respirando, acabando com nossa saúde. Isso é um caso de saúde pública. Não queremos isso ao lado das nossas casas”, disse.

Os advogados da empresa interditada acompanharam a ação da Prefeitura e disseram que irão recorrer. O caso está sendo acompanhado pela Procuradoria Municipal.