Milton em cena

Musical em homenagem a Milton Nascimento chega a BH

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Milton Nascimento gostou tanto do musical que assistiu mais de dez vezes, só durante a temporada no Rio
Claudia Ribeiro/divulgação
Milton Nascimento gostou tanto do musical que assistiu mais de dez vezes, só durante a temporada no Rio
O aniversário de 70 anos de idade e 50 de carreira de Milton Nascimento, em 2012, foi o “pretexto” que os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho precisavam para realizar um projeto que já vinham namorando há anos. “Eu descobri o Milton ainda na adolescência, num disco do Chico (Buarque) em que eles cantam ‘O Que Será? (À Flor da Terra)’ juntos”, conta Botelho. “Aquilo mudou completamente minha relação com a música e desde então me tornei obcecado por ele. Até que a vida me deu o presente de conhecê-lo pessoalmente e, já na primeira vez que nos encontramos, eu disse: vou ter que fazer um espetáculo com a sua música”.   Com o aval do músico recebido de cara, ainda foram necessários seis anos até que o musical “Milton Nascimento – Nada Será Como Antes”, que vai ser apresentado em Belo Horizonte no próximo fim de semana, finalmente estreasse. “Quando encontramos a ‘data redonda’ (os 70 e 50 anos), começamos a produção. Perguntamos pro Bituca se ele queria participar conosco ou se preferia recebê-lo de presente”, lembra o diretor. Fã da dupla responsável pelos principais musicais do país, Milton – que já tinha visto “Beatles Num Céu de Diamantes” oito vezes – preferiu o presente.    Nadando contra a maré num mar de musicais em homenagem a ícones da MPB, “Nada Será Como Antes” não é biográfico nem tem diálogos. São 14 atores-músicos em cena que, além de cantar, tocam instrumentos como piano, percussão, violão, charango (instrumento de cordas andino), percorrendo a vasta obra do cantor e compositor.    As 48 canções que compõem o espetáculo são divididas entre as quatro estações do ano, com cada uma delas representando o estado da alma do autor, segundo Botelho. “Começa com a primavera, com canções que falam de amizade, conhecimento, desabrochar. Passa para o verão, que tem muito da negritude, da parte africana do Milton. Aí vem o outono, que tem músicas ligadas aos anos de chumbo e é um momento em que tudo fica mais cinza. Em seguida, vem o inverno, que é o ápice desse sofrimento”, explica. “Como não queríamos encerrar pra baixo, puxamos o final para a esperança com ‘Travessia’ e ‘Nada Será Como Antes’. Não existe diálogo, mas as músicas conversam umas com as outras”.    O cenário, assinado por Rogério Falcão, é uma grande casa mineira – um “clube da esquina”, segundo os diretores –, com pinturas nas paredes, móveis de fazenda e atmosfera barroca. Apesar de não ser representado por um personagem específico, o músico se faz presente não só pelas músicas, mas por todos os elementos cênicos, tal como ele mesmo revelou ter percebido em conversa com os diretores, após a estreia. “É engraçado, eu estou em cena o tempo inteiro. Eu sou aquela gente, aquele boné, eu usei aquele cachecol, eu me vesti com aquela echarpe, aquelas botas”, disse. Era essa mesmo a intenção dos diretores. “Não queríamos fazer uma biografia, mas queríamos que esses garotos todos transparecessem um pedaço de Milton Nascimento. Todo esse conjunto forma um único Milton”, ressalta o diretor.   Entre os destaques do elenco, os irmãos Estrela Blanco e Pedro Sol (netos do compositor Billy Blanco), Claudio Lins (filho de Ivan e Lucinha Lins) e Marya Bravo (filha de Zé Rodrix e Lizzie Bravo). Esta última tem vasta experiência em musicais, dentro e fora do Brasil, mas diz que o envolvimento com este tem um gosto especial. “Tenho uma ligação com o Bituca desde antes de nascer, afinal ele foi padrinho de casamento dos meus pais, meu pai fez parte da banda Som Imaginário, que o acompanhou, e quando eu morei em Nova York, minha mãe era sua representante comercial”, conta Marya. “Essa foi uma oportunidade para resgatar essa pessoa que tenho forte na minha memória de forma incrível”, emenda.   Resistência   Marya se diz feliz por ter, pela primeira vez, unido duas facetas suas. “Sou atriz de musical, mas também tenho uma carreira solo na música. Até esse espetáculo eu nunca tinha tocado um instrumento ao vivo, nem nos meus shows, porque não tinha coragem, e nele eu me joguei”, conta. No próximo mês, a artista lança seu terceiro disco. “Comportamento Geral – Canções da Resistência” é o registro em estúdio do show “Apesar de você”, que ela apresentou em julho dentro de um ciclo multimídia cujo mote eram os 50 anos do golpe militar. São 13 músicas, de compositores como Chico Buarque, Ivan Lins e Gonzaguinha, que levantaram a voz contra a ditadura. “São músicas conhecidas que nós transformamos num negócio louco, mais pesado. Quis trazer a carga emocional que na época eles não conseguiam colocar por causa da censura”, diz a “cantriz”, que pretende trazer o show a BH.   Milton Nascimento – Nada Será Como Antes Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, 3236-7400). R$ 90 (inteira, plateia 1), R$ 70 (inteira, plateia 2), R$ 50 (inteira, plateia superior). Praça Tiradentes – Ouro Preto. Dia 27 (sábado), às 20h. Apresentação gratuita.

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