Oposto Renan vive 'nova' função no Mundial

Com 2,17m, jogador do Sesi-SP vem sendo deslocado para o meio-de-rede por Bernardinho

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Na seleção, Renan tem concorrência de Vissotto na função de oposto
ALEXANDRE ARRUDA - CBV
Na seleção, Renan tem concorrência de Vissotto na função de oposto

O corte do central Isac, do Sada Cruzeiro, da seleção brasileira, nas vésperas do Mundial de vôlei, surpreendeu muita gente. Afinal, o jogador era figura constante no elenco de Bernardinho. A ausência do meio-de-rede teve influência direta de uma decisão do treinador brasileiro, que preferiu ter à disposição, o oposto Renan, de 2,17m.

Muito mais que a altura do jogador, Bernardinho foi convencido pela possibilidade do atleta atuar na posição de central, tendo, em mãos, uma variação tática interessante para alguns jogos do torneio.

"Acredito que o Bernardinho possa ter feito isso pensando em um possível confronto contra a Rússia. Ele buscou uma forma de tentar neutralizar o Muserskiy e o Renan pode ser uma boa opção para travar o lado de lá, que é muito alto. Pra mim, não foi surpresa a opção, até porque, em conversas anteriores que tivemos, o Bernardinho deu indicações de que tinha essa intenção no futuro", lembra Alexandre Stanzioni, técnico do Brasil Kirin Vôlei-SP.

Começo. Stanzioni foi um dos primeiros técnicos que Renan teve em sua carreira. Com apenas 14 anos, ele chegou à peneira do São Bernardo, que na época levava o nome de Banespa. "Era até engraçado ver a diferença dele para os outros meninos. Ele tinha 1,98m e 57kg. A escolha dele, no entanto, foi além da altura. Identificamos ali um grande potencial para a modalidade", comenta o treinador do time campineiro.

Depois de passar na seleção para a equipe infanto-juvenil, que tinha idade superior à sua na época, Renan ficou um ano sendo preparado para ser um membro efetivo da equipe. "Ele entrava esporadicamente. Neste meio tempo, a gente fez um reforço muscular importante, que era necessário para ele ter condição de suportar as demandas de uma partida. Ele sempre jogou em categorias acima da sua idade", mostra o treinador.

Mudança. A estreia de Renan como central aconteceu durante sua passagem pela seleção brasileira juvenil. O técnico Percy Oaken viu que suas opções para o meio-de-rede estavam escassas e decidiu lançar mão do gigante para preencher uma lacuna. "Ele teve que se adaptar. Para um canhoto, é difícil exercer a função de central, principalmente para atacar. No bloqueio, já é mais tranquilo. Tudo para ele é mais fácil em virtude dos 2,17m", pontua Stanzioni.

"Em três meses e meio ele conseguiu se adaptar a nova função. Ele fez um belo Mundial, em 2009, foi eleito o melhor bloqueador da competição e foi muito útil ao time. Acreditamos muito no seu potencial como central, naquele momento ele teve uma participação bastante importante para o time", lembra Percy.

Encontro de gigantes. Brasil e Rússia irão se enfrentar no domingo, às 11h40 (horário de Brasília), em jogo que já deve ter os dois times classificados para a terceira fase do Mundial. Nos dois primeiros jogos da segunda fase, Bernardinho ainda não utilizou Renan, talvez guardando o jogador para um momento especial da competição.

A chance de mudar Renan de posição faz muitos, inevitavelmente, se lembrar de quando o mesmo Muserskiy teve sua função alterada durante a final dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Inicialmente escalado em sua posição original, de central, o jogador foi deslocado para oposto, antes de fazer 31 pontos e decidir o título a favor de sua equipe. Dependendo do contexto do jogo, Renan pode ser acionado por Bernardinho no meio-de-rede para tentar ter, na seleção, um de seus maiores desafios.