Escócia acusa Reino Unido de estimular medo em relação à independência

Um número crescente de empresas têm mostrado preocupações com a eventual ruptura do Reino Unido, cuja união tem mais de três séculos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O primeiro-ministro da Escócia, Alex Salmond, afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo britânico está usando táticas de intimidação para persuadir os escoceses a votarem contra a independência em relação ao Reino Unido, ao exagerar os eventuais riscos financeiros de uma secessão.

Com a aproximação do referendo sobre a independência escocesa, marcado para o dia 18, um número crescente de empresas têm mostrado preocupações com a eventual ruptura do Reino Unido, cuja união tem mais de três séculos. O Lloyds e o Royal Bank of Scotland Group (RBS), dois gigantes bancários da região, e um fundo de pensão informaram que planejam mudar pelo menos partes de suas operações para a Inglaterra se a proposta de autonomia for aprovada.

Salmond acusou uma autoridade do Tesouro britânico de ter vazado a notícia - divulgada ontem à noite - de que o RBS poderá mudar sua sede para Londres como uma estratégia para semear o medo entre os escoceses. Segundo o premiê, a eventual mudança não teria impacto nos serviços ou funcionários do banco e seria apenas um procedimento técnico.

"Há claros sinais de que, enquanto o primeiro-ministro (britânico, David Cameron) nos dizia que país maravilhoso somos, seu assessor tentava fazer o possível para dizer algo negativo sobre a independência", disse Salmond. O Tesouro britânico não deu resposta imediata ao comentário.

Cameron cancelou sua agenda para ontem e seguiu para a Escócia para defender a preservação do Reino Unido, evidenciando a preocupação de Londres com recentes pesquisas, segundo as quais o resultado da votação será apertado.

A pesquisa mais recente, do instituto Survation, trouxe um certo alívio para os defensores da união. O levantamento, publicado ontem, apontou que 48% dos eleitores são a favor da permanência da Escócia no Reino Unido e que 42% querem a independência. Como a sondagem tem uma margem de erro de mais ou menos três pontos porcentuais, a votação poderá ser de fato acirrada.

Uma sondagem anterior, divulgada no fim de semana, sugeriu que a proposta de independência seria aprovada.

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