Preço de minério despenca e força freio nos investimentos

Com valor em US$ 83,6, mercado avalia que Usiminas e Gerdau devem rever seus planos

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Mineração. Siderúrgicas que investem na exploração de minério de ferro estão repensando planos de curto prazo por causa dos preços
CHARLES SILVA DUARTE/3.9.2009
Mineração. Siderúrgicas que investem na exploração de minério de ferro estão repensando planos de curto prazo por causa dos preços

O preço do minério de ferro, que chegou a US$ 83,60 a tonelada no mercado à vista chinês na terça-feira, menor valor em cinco anos, e que no acumulado do ano já perdeu quase 40% de seu valor, está freando projetos de expansão de capacidade de minério de ferro de siderúrgicas brasileiras, segundo especialistas. Com o valor da commodity próximo dos US$ 90 a tonelada, ou até menos, a percepção do BTG Pactual é de que a expansão de projetos de Usiminas e Gerdau dificilmente irá para frente.  

“Nós calculamos que esses projetos poderiam gerar uma taxa interna de retorno bem abaixo de 10% (em dólar)”, dizem Leonardo Correa e Caio Ribeiro, em relatório. Os analistas acreditam que a postergação ou cancelamento para a expansão dos projetos da Usiminas seriam positivamente recebidos.

A professora de MBA em economia da FGV/Faculdade IBS Virene Roxo Matesco, aposta que os investimentos serão prejudicados. “Agora, os que já estão sendo realizados, as companhias irão avaliar se compensa continuar ou não”, observa. Ela afirma que a fase dos preços altos da commodity chegou ao fim. “É algo cíclico. O patamar de US$ 150 a tonelada não existe mais. Com a rentabilidade menor, as empresas vão se ajustar a um novo cenário, uma nova realidade”, diz.

Procurada pela reportagem, a Usiminas destacou a afirmação do presidente da empresa, Julián Eguren, durante coletiva do 25º Congresso Brasileiro do Aço, realizado em São Paulo, em agosto deste ano. “Nós concluímos o Projeto Friáveis para passar de 8 a 12 milhões de toneladas, mas não temos o Porto. O Projeto Compactos é uma segunda parte, um investimento grande e a gente continua analisando. Deve ir para o Conselho de Administração no primeiro semestre do ano que vem”, disse. O Projeto Compactos poderia aumentar a capacidade da Usiminas para 29 milhões de toneladas de minério de ferro/ano.

Na ocasião, no que se refere aos preços da commodity, o executivo apostou na estabilidade.

A Gerdau também tem planos de aumentar a capacidade dos atuais 11, 5 milhões para 18 milhões de toneladas em 2016 e de chegar a 24 milhões de toneladas em 2020. Até maio deste ano, a divisão de mineração já havia recebido investimentos de R$ 1 bilhão, conforme a empresa.

Tanto Gerdau quanto Usiminas anunciaram foco em mineração em um momento que se discutir a verticalização era estratégia para manter competitividade, já que o minério estava com preços valorizados e não ser autossuficiente poderia significar ficar atrás dos concorrentes. Procurada pela reportagem, a Gerdau informou que não fala sobre o assunto.

Empresas gastam US$ 32 por tonelada só para carregar navio São Paulo. Além de retirar a atratividade dos projetos, o preço corrente do minério de ferro poderá tornar pouco lucrativa a exportação do insumo pelas usinas. “As companhias gastam algo em torno de US$ 32 a tonelada para colocarem o minério em um navio no litoral brasileiro, mais US$ 24 a tonelada pelo frete marítimo. Nossa análise indica que Usiminas/Gerdau/CSN deverão gerar perdas exportando minério de ferro nos atuais preços”, diz relatório do Goldman Sachs, assinado pelos analistas Marcelo Aguiar, Humberto Meireles e Diogo Miura. Os analistas do BTG Pactual citam que a indicação é de que no atual preço do minério de ferro, as operações dessa divisão da Usiminas e Gerdau estão se aproximando de margens muito estreitas, com o Ebitda por tonelada beirando zero.

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