Vítima temia por acidente

Topógrafo que fazia medições se preparava para celebrar aniversário da primeira neta

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Já Adílson segue desaparecido
Moisés Silva
Já Adílson segue desaparecido

Às 5h15 desta quarta, Adilson Aparecido Batista, 43, pegou o ônibus da Herculano Mineração, que passa na porta de sua casa, em Itabirito, na região Central de Minas, para mais um dia de trabalho. No entanto, logo nas primeiras horas da manhã, ele foi designado para operar a retroescavadeira na antiga barragem de resíduos da mineradora e parecia sentir que algo estava errado. Chegou a comentar com colegas: “Se eu for trabalhar na barragem, pode ir preparando meu enterro”. Minutos depois, por volta das 7h30, a estrutura se rompeu e Batista desapareceu em meio a toneladas de restos de minério. Até o início da noite desta quarta, ele não havia sido encontrado.  

A família dele, por sua vez, não saía da porta de casa em busca de notícia e amparo. O filho mais velho de Adilson, Fernando Rodrigues Batista, 23, que trabalha como motorista de caminhão, não se conformava com a falta de informação. “Eles só nos ligaram às 16h30 para dizer que ainda não tinham encontrado meu pai. Não sabemos nada como aconteceu nem fomos chamados para ir lá acompanhar as buscas”, relatou o jovem, que tem uma irmã de 11 e um irmão de 2 anos.

Já o topógrafo Reinaldo da Costa Melo, 68, se mostrava satisfeito com a profissão, a mesma seguida por outros três irmãos da família. Esta semana para ele tinha um sentido todo especial, já que no próximo sábado iria comemorar o aniversário de 1 ano de sua primeira neta. Toda a família estaria reunida: ele, sua mulher Susana, suas duas filhas adultas e casadas e sua outra neta, que nasceu há cerca de um mês. Os irmãos também iriam participar e sabiam da felicidade de Reinaldo com a festa. “Ele era muito agarrado às netas”, disse o irmão Ronaldo da Costa Melo, 65.

No entanto, na manhã desta quarta, por volta das 9h30, Ronaldo e o irmão Renô da Costa Melo, 72, receberam a notícia do acidente na empresa Herculano. Eles foram até o local e entenderam como tudo aconteceu. Segundo eles, o topógrafo fazia medições para uma nova barragem que seria construída no local. Ele estava a cerca de 300 m da estrutura que se rompeu. “Não deu tempo de ele escapar, foi tudo muito rápido”, relatou Renô.

Mesmo com o incidente, eles disseram que a Herculano é séria e que se prontificou desde o início do dia a dar toda a assistência à família. “Eles deram apoio total e estão sofrendo tanto quanto a gente”, ressaltou Ronaldo.

Reinaldo trabalhava há mais de 40 anos como agrimensor e prestava serviços como topógrafo para outras empresas. Há cerca de quatro anos, segundo o irmão, ele vinha atuando na Herculano. Nascido em Belo Horizonte, ele morava no bairro Santa Inês, na região Leste, com a mulher. “Susana está desolada. Desde que as filhas casaram, os dois moravam sozinhos e eram muito unidos. Sempre recebiam as netas em casa”, contou Renô. Reinaldo deixou também três irmãos e duas irmãs.

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