Nosso país chafurda novamente num perigoso mar de lama

iG Minas Gerais |

DUKE
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Vejo-me diante do computador, cuja tela, mais branca do que a antiga lauda, me desafia como se fosse o mais execrável dos patrões. Outra vez impactado pela incrível audácia dos corruptos, e sem saber como começar mais um artigo, minha preocupação maior é com o leitor. Quanto a mim, confesso que sempre me nego (refiro-me, também, aos artigos já publicados), embora às vezes possa ocorrer, a escrever por mera obrigação. Ou, quem sabe, por mero hábito. Ou, quem sabe ainda, pela vaidade de ver o que escrevi ou reportei, bem ou mal, na página de um jornal, ou, talvez, em alguma das nossas redes sociais, que sempre capta, graças ao trabalho de um “amigo”, seja para criticá-lo, seja para elogiá-lo, o artigo que este O TEMPO acolhe semanalmente. Vivemos tempos bicudos, hoje! Mas será que o que digo é verdade mesmo, pura, nua e crua? Passadas tantas décadas de duríssima faina diária, no trabalho e na família, me pergunto se esses tempos tão bicudos de hoje não são, na realidade, a repetição monótona e cansativa do que venho testemunhando ao longo de mais de 50 anos. Ao me dirigir tal pergunta, lembro-me da coluna do jornalista Ricardo Noblat, que conheci ainda muito jovem no velho e inesquecível “Jornal do Brasil”, publicada na última segunda-feira, como, aliás, rotineiramente acontece. Vai daí, porém, que Noblat e sua coluna me lembraram muito mais gente. Sobressai, neste instante, o jornalista Carlos Lemos Leite da Luz, ou, simplesmente, Carlos Lemos, que completou recentemente 85 anos. Festejado, em justa homenagem, com um concorrido jantar, saudou-o Alberto Dines, que anos a fio dividiu com ele a redação da grande e competente escola que foi o “JB”. Mas voltemos a Ricardo Noblat, e antes que a intrusa saudade faça em mim morada, para dizer que, em sua última coluna, sob o título “Um mar de lama ameaça a Petrobras”, ele apenas pergunta: “A exemplo de Lula no caso do mensalão, em 2005, quando Dilma dirá que foi traída e pedirá desculpas aos brasileiros pelo escândalo do mar de lama que entope os dutos da Petrobras, ameaçando tragar a maior empresa do continente? No mínimo, é o que se espera dela, ex-ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e presidente da República em final de mandato”. Noblat ressuscita a expressão “mar de lama”, usada pelo ex-senador mineiro Afonso Arinos de Melo Franco, no dia 9.8.1954, em discurso no qual pede a renúncia do então presidente Getúlio Vargas, que, enfim, 15 dias depois, no Palácio do Catete, se suicidou com um tiro no peito. Getúlio constatou, mas não resistiu ao “mar de lama” que virou o seu governo. Dilma, 60 anos depois, envolta numa situação mais grave, apenas afirma que “não tinha a menor ideia” de que havia um esquema criminoso na Petrobras, apesar de haver mandado na empresa, com mão de ferro, durante 12 anos… Marina fala em “quadrilha” na Petrobras, acusa o PT e poupa Dilma dizendo que sua responsabilidade é política, querendo dizer, talvez, que possa ter ocorrido, no caso, apenas, crime de responsabilidade por parte da presidente. E haverá algo pior? O Brasil não irá a lugar algum enquanto houver no comando um partido que se dedique a aparelhar o Estado com o objetivo de perpetuar um projeto totalitário de poder. E esse partido sonha, agora, tornar o governo de Minas cativo das suas intenções autoritárias. Até quando toleraremos isso?

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