Meditação é aliada da ciência para tratar compulsão alimentar

Transtorno leva à grande ingestão de alimentos, de forma rápida e sistemática

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Milenar. Professora de ioga e terapeuta holística Ailla Pacheco considera natural a meditação ser um ‘remédio’ contra a compulsão
Cleo Baptista / Divulgacao
Milenar. Professora de ioga e terapeuta holística Ailla Pacheco considera natural a meditação ser um ‘remédio’ contra a compulsão

Os benefícios da meditação para o equilíbrio físico e mental sempre foram ressaltados e difundidos pelas filosofias orientais. A novidade é que a eficácia da técnica vem sendo apontada agora como uma alternativa para o controle da compulsão alimentar – problema que pode atingir até 30% da população mundial, segundo pesquisas.

Uma das práticas, conhecida como “mindfulness” (plena atenção, em tradução livre), vem sendo cientificamente aplicada nos Estados Unidos há pelo menos 40 anos e, nos últimos dez, apresenta bons resultados terapêuticos, explica o pesquisador paulista Marcelo Csermak.

A técnica, inédita no Brasil, começa a ser apresentada hoje, em três eventos internacionais em São Paulo: o Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional, o Congresso Internacional de Nutrição Esportiva Funcional e o Congresso Internacional de Fitoterapia Funcional.

“A ciência descobriu que as técnicas de meditação podem auxiliar em todos os sintomas do transtorno de compulsão alimentar periódico, diminuindo o estresse, a ansiedade, criando uma atenção interna dos pensamentos e maior capacidade de percepção das suas atitudes erradas”, afirma.

A prática da meditação faz também com que as pessoas percebam como podem gerar pensamentos positivos em detrimento dos negativos, sintomas muito comuns no distúrbio. “As características da compulsão alimentar envolvem distorções psicológicas, como autossabotagem, episódios depressivos, sentimentos de angústia interior e de não aceitação”, comenta Csermak.

Exagero. A compulsão alimentar é caracterizada pela grande ingestão de alimentos, de forma rápida e sistemática, fazendo com que a pessoa depois não se preocupe em compensar essa ingestão exagerada com uma dieta ou atividade física.

De acordo com Csermak, para a técnica começar a apresentar resultados é necessário fazer um tratamento por dez semanas, com práticas diárias de 15 a 20 minutos, acompanhadas por um profissional, e atividades em casa, duas vezes por dia, em média.

“Não adianta ir ao consultório, meditar 20 minutos e ir embora. Em casa, é utilizada a técnica associativa em que o paciente é orientado a prestar atenção nas situações cotidianas, que chamamos de práticas informais de mindfulness”, diz Csermak.

Sensações. Diferente da meditação formal, quando a pessoa senta e medita, nessa é preciso se atentar para a respiração, a movimentação do abdômen, as sensações que emergem do corpo e os pensamentos.

O pesquisador e doutorando em psicobiologia, porém, que só a técnica não basta. Pesquisas feitas desde 2005 mostram que a meditação tem sido associada a terapias cognitivo-comportamentais e a um programa baseado no treinamento de atenção à alimentação (“Mindfulness Based Eating Awareness Training” – MB-Eat).

Congressos. Após os congressos em São Paulo, que terminam no sábado, Csermak deve oferecer um curso para capacitar profissionais da área de saúde.

Programação

Evento. De hoje até sábado, das 8h às 19h, será realizado em São Paulo os congressos internacionais de Nutrição Clínica, Nutrição Esportiva e Fitoterapia funcionais. Veja:www.vponline.com.br

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