Detalhes dos bastidores de uma megaprodução

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Caio Gallucci
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Antes, durante e após a encenação de “Elis, A Musical”, um outro mundo acontece nos bastidores da apresentação – entre equipamentos de som, iluminação, cenários, trocas de roupas e maquiagem dos atores. Uma montagem que envolve nada menos do que 265 profissionais, o dobro da média de um musical de grande porte feito no Brasil, e um dos mais caros do país, com custo de quase R$ 9 milhões para toda a produção.

De início, todo o cenário precisa ser preparado, no mínimo, com duas horas de antecedência. O tempo todo, quatro telões de LED com dois metros de altura por um de largura ilustram desenhos contextualizados com os variados cenários desmontáveis que incluem mesas, cadeiras, sofás, camas e centenas de objetos, como porta-retratos com fotos de Elis Regina e até estantes similares às que a cantora chegou a ter em sua casa em São Paulo, na década de 1980. Um apanhado minimalista para recompor locais como a casa da Pimentinha no Rio de Janeiro, e o MGM Studios de Los Angeles, na Califórnia, onde foi gravado o álbum “Elis & Tom” (1982, Phillips), que tem uma cena inteira dentro do musical.

O cenógrafo Marcos Flaksman, responsável pela montagem do espetáculo, explica que os mais de 20 ambientes que aparecem ao longo de três horas de encenação são montados em tempo recorde. “Usamos plataformas de rodinhas especiais para tirar e colocar os objetos e móveis em cena. Às vezes uma sala toda com mais de 40 itens fica pronta em um minuto apenas, é quase mágica”, brinca o cenógrafo.

Toda a estrutura de cenário é transportada em caminhões que carregam mais de mil quilos de equipamentos e componentes cenográficos – mas nem sempre é possível levar tudo para as cidades em que o espetáculo estará em cartaz. “Abrimos mão, na maioria das vezes, de coisas detalhistas que podemos arrumar na própria cidade, como um sofá ou uma cama muito grande que precisamos em uma cena da personagem da Elis com o César Mariano, por exemplo”, diz Flaksman.

Figurino. Outro ponto de correria durante o espetáculo, pelo menos para parte do elenco, é a montagem da caracterização. Às 23h, logo após o fim de mais uma apresentação, Laila Garin ainda retira a maquiagem do rosto, e sabe que vai ter muito trabalho durante uma hora inteira. Antes disso, a necessidade de esconder a vasta cabeleira ruiva em uma peruca preta curtinha, além de lentes especiais para camuflar o azul vivo de seus olhos, também demoram uma hora, em média. “É um processo longo porque até na maquiagem eles dão uns toques no meu rosto para se assemelhar ao de Elis, já que eu não sou absolutamente nada parecida com ela. Mas esconder sardas, botar todo esse meu cabelo enrolado para baixo, é muito difícil mesmo, tem que se acostumar com essa trabalheira porque vale muito a pena”, diz Laila.

Responsável pelo figurino do espetáculo, a estilista Marília Carneiro recorreu a diferentes ateliês do país para investir em peças exclusivas para o vestuário de Elis Regina, sendo que boa parte das roupas foi inspirada no próprio guarda-roupas da cantora. “Fizemos um vestido floral, por exemplo, com o pessoal do Atelier de Indumentária, de São Paulo. Foi todo pintado à mão, baseado em um vestido que Elis teve na década de 1960, em uma fase mais hippie dela, que aparece na caracterização final dos personagens do musical. Tudo foi feito com um cuidado de ineditismo e uma inspiração muito fiel nos gostos da própria Elis”, diz a estilista.

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