Elis, de fantasia e saudade

Montagem musical sobre a vida e obra da Pimentinha estreia hoje em Belo Horizonte, em quatro sessões, com todos os ingressos esgotados

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Produção. Laila Garin leva mais de duas horas para aquecer a voz e esconder os cabelos ruivos e olhos azuis, tudo para encarnar a cantora Elis Regina em musical
ROBERT SCHWENCKO/DIVULGAÇÃO
Produção. Laila Garin leva mais de duas horas para aquecer a voz e esconder os cabelos ruivos e olhos azuis, tudo para encarnar a cantora Elis Regina em musical

O jeito misto de moleca à vontade e mulher enérgica, as relações conflituosas com amores geniosos e a voz arrebatadora a eternizaram como Pimentinha, a maior cantora do país, para o senso comum. Há 22 anos, em 19 de janeiro de 1982, Elis Regina deixava essas e outras marcas na MPB ao ser encontrada morta em seu apartamento, no Jardim Paulista, em São Paulo, depois de uma mistura atípica para ela de álcool e cocaína. Agora, na onda crescente de musicais que corre o país afora, a montagem “Elis, A Musical” chega a Belo Horizonte, hoje, para quatro apresentações no Palácio das Artes, após ser vista por 170 mil pessoas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O espetáculo dirigido por Dennis Carvalho, estreante em teatro, com texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade, narra parte dos quase 37 anos de vida da Pimentinha, recortando os 20 anos de carreira da cantora em uma linguagem inspirada nos musicais da Broadway, com várias passagens cômicas e dançantes – o que dividiu paulistas e cariocas entre aplausos e críticas sobre a escolha desse formato. “A parte enérgica dela está lá, a fragilidade, a emoção que ela causa nas pessoas e a saudade que deixou. A linguagem traz a essência de Elis”, justifica Dennis Carvalho.

Em três horas de musical, 19 atores se revezam no palco para interpretar alguns dos principais nomes na carreira de Elis Regina, como Jair Rodrigues (Ícaro Silva), Tom Jobim (Leo Diniz), Henfil (Peter Boos), além dos atores Tuca Andrade (Ronaldo Bôscoli) e Cláudio Lins (César Camargo Mariano), que vivem o primeiro e o segundo marido da cantora gaúcha, respectivamente. E quem rouba a cena do musical é a atriz baiana Laila Garin, 35, ruiva dos cachos avermelhados e olhos azuis, que faturou o Prêmio Shell pela interpretação de Elis Regina.

Na capital mineira, a atriz baiana vai se apresentar nas sessões de 21h, enquanto Lília Menezes a substitui no papel principal da sessão de 17h, neste sábado, dia 12. Com dezenas de fotos e recortes de Elis Regina pregados no camarim para se inspirar, Laila Garin chama a atenção para outros lados da cantora que ela não conhecia antes de fazer o musical. “Achei o máximo o fato da Elis ter criado a Associação de Intérpretes e Músicos, que nunca chegou a ir para frente de fato, mas é uma iniciativa que até hoje o país precisa”, opina.

Passeando por outros trechos da história de Elis, o musical mostra sua saída de Porto Alegre ainda com 17 anos, em busca do sucesso no Rio de Janeiro, a paixão e o ódio por Ronaldo Bôscoli, as brigas e chiliques com gravadoras e produtores musicais, além de uma versão intimista no palco da última entrevista da Pimentinha, concedida à TV Cultura, em 1982. Nesse cenário, a cocaína e o álcool não têm lugar na encenação. “É uma escolha que faz sentido porque isso não influenciou a vida da Elis, foi um caso atípico para ela, uma infelicidade”, atesta o ator Tuca Andrade.

Assim como essa escolha, personagens como Milton Nascimento, Belchior, Zé Rodrix e Ivan Lins, todos com canções lançadas por Elis Regina, ficaram de fora da peça. Porém, o ator Cláudio Lins, filho do compositor Ivan Lins, que teve “Madalena” como primeiro sucesso após interpretação da cantora em 1970, avalia que o espetáculo consegue abraçar todos os parceiros da Pimentinha. “Contar a vida toda da Elis era impossível e não havia essa intenção. Alguns nomes podem não ter ganhado vida em personagens, não cabia, claro, mas estão representados nas músicas”, justifica o ator.

Assim, uma banda de nove músicos interpreta clássicos selecionados pela diretora musical, Délia Fischer, que inclui “Madalena”, “Arrastão”, “Como Nossos Pais”, “Casa no Campo” e um dos pontos altos do show, a interpretação quase à capela de “Fascinação”. Depois de Belo Horizonte, “Elis, A Musical” segue para apresentações em Curitiba, Brasília e Porto Alegre, onde fecha a turnê do espetáculo.

Agenda

O QUE. “Elis, A Musical”

ONDE. Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

QUANDO. Hoje e amanhã, às 21h; sábado às 17h e às 21h

QUANTO. De R$ 65 a R$ 200, mas todos os ingressos estão esgotados.

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