Desconcentrado, Brasil é atropelado pela Sérvia e é eliminado da Copa

Momento de instabilidade emocional no terceiro período e defesa ruim durante todo o jogo foram determinantes para queda brasileira na Espanha

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Alex Garcia foi um dos que mais reclamaram da arbitragem durante o confronto
FIBA/REPRODUÇÃO
Alex Garcia foi um dos que mais reclamaram da arbitragem durante o confronto

O sonho brasileiro na Copa do Mundo de basquete acabou em pesadelo. Após um momento de instabilidade emocional no terceiro período, quando foi carregada de faltas técnicas em sequência, o Brasil não conseguiu mais encaixar seu jogo e foi atropelada pela Sérvia por 84 a 56, em partida válida pelas quartas de final, disputada em Madri, na Espanha. Este foi o maior placar imputado ao Brasil no torneio internacional, superior até mesmo à derrota sofrida para a Espanha, na primeira fase (82 a 63). 

Pela semifinal, a Sérvia espera pelo vencedor de Espanha e França. A partida será disputada na próxima sexta-feira, às 17h (de Brasília), em Madri. Na outra chave, Estados Unidos e Lituânia reeditam a semifinal do último Mundial, na quinta-feira, às 16h, em Barcelona.

O jogo

Assim como aconteceu em pelo menos 90% dos jogos da seleção na Copa do Mundo de basquete, o primeiro quarto  foi marcado por alguns momentos de oscilação. A defesa, tida como um dos destaques da equipe, até conseguiu interromper as jogadas trabalhadas com o pivô sérvio Miroslav Raduljica, mas pecava na marcação das infiltrações e nos chutes do perímetro.

Os vacilos brasileiros não foram perdoados por Milos Teodosic, o ágil armador sérvio que marcou oito pontos em pouco mais de seis minutos em quadra. Mesmo com as dificuldades, o Brasil ainda conseguiu manter o jogo equilibrado e finalizou o primeiro quarto quatro pontos atrás no marcador (21 a 17).

No segundo período, Teodosic continuou soberano, liderando as ações e distribuindo as jogadas com muita liberdade. O Brasil conseguiu responder às investidas sérvias com uma boa atuação dos jogadores vindos do banco de reservas. Emplacando uma transição rápida, a seleção até chegou a virar o marcador, mas a vantagem logo foi diminuída pelos sérvios que ainda recuperaram a dianteira e foram para o intervalo com cinco pontos de frente (37 a 32).

Quando se esperava da seleção brasileira uma postura mais agressiva no retorno à quadra, a equipe viveu um momento de descontrole emocional no terceiro período. Raduljica recebeu uma falta de Anderson Varejão, a sua terceira na partida. Na sequência, a arbitragem aplicou duas faltas técnicas na seleção, uma em Marcelinho Huertas e outra em Marquinhos. A Sérvia cobrou seis lances livres, acertou cinco e, a partir deste momento, nunca mais foi pressionada por um apático Brasil. 

O jogo sérvio encaixou de uma maneira tão assustadora que praticamente todos os lances eram concluídos em pontos. Tudo que ia, entrava. Infiltrações, bolas de três pontos, bandejas. O Brasil assistia, sem entender, a aula de basquete aplicada pelos europeus. No fim da partida, o placar atestava a superioridade. Foram 28 pontos de frente. Um placar, de certo ponto injusto, tendo em vista todo o histórico e a esperança suscitada pela seleção brasileira durante sua campanha no Mundial da Espanha.