Um país sensível

iG Minas Gerais |

O melhor e maior amigo que tive, falecido há pouco, atendia pelo apelido de Zé Cachorro. É sabido que o cachorro é o melhor amigo do homem. Eu, e todo mundo que o conhecia, amava o Zé. Mais que melhor amigo, era um irmão. Sou padrinho de seus filhos, e, na juventude, quando estudantes, moramos no Grande Hotel, na rua da Bahia, no lugar onde hoje está o Maletta. Outro amigo, este de infância, era chamado de Jegão. Gente com nome ou apelido de bicho conheço às pencas... De repente, nosso país, tido e havido sempre como um lugar acolhedor e alegre, se transforma numa chatura insuportável. Qualquer ruidozinho vira um auê. O Brasil, antes um país varonil, de povo patriota e fagueiro, de repente parece que mudou de clima e se transformou em terra de gente nervosa, rancorosa, apátrida, fuxiqueira, preguiçosa e, pior, desonesta... Qualquer problemazinho vira caso de polícia, uma frescura só... Não tenho medo de falar em racismo, transformado em crime hediondo por essa onda de frescura e modismos que assola o país, e que dizem ser consequência da política do politicamente correto, fruto do entendimento dos tais direitos humanos. Não tenho medo de falar de racismo, nem mesmo cuidados ao falar do assunto, porque deve ser o único preconceito que eu tenho certeza que não tenho. Mas a pele do país está tão sensível que por qualquer bobagem a opinião pública se levanta em estado de guerra, enquanto a libertinagem campeia ao comando de alguns órgãos de comunicação. Esse nervosismo é fruto desse tempo de ação exacerbada de pseudossocialistas, padres e pastores de seitas que pululam por todos os lados e até comerciantes que vendem a cura e salvação de almas em suaves prestações mensais livres de impostos. Não existe no mundo nada mais pessoal, subjetivo, que o pensamento humano. O pensar é livre, não existe meios para quem acha que pode proibir o pensamento. Pensar é o que nos faz ser diferentes dos irracionais e do macaco, nosso primo mais próximo na escala evolutiva. São tantas as semelhanças genéticas e comportamentais entre homens e macacos que até assustam. Se querem acabar com a comparação entre homens e macacos, não será com leis demagógicas que conseguirão. Que tal começar acabando com esses preconceitos por meio da educação? Com a educação, penso que ninguém mais se sentirá ofendido por ser chamado de “macaco”, “cachorro”, “burro”, “cavalo” ou “égua”. Mas educação será a última coisa que os poderosos deixarão acontecer neste país, isso enquanto existir gente maliciosa e canalha mandando. Enquanto fica entretido pela sorte de uma menina que chamou Aranha de “macaco”, o povo curioso nada sabe sobre o infame Decreto 8.243, que cria o Plano Nacional de Participação Social (PNPS) e acaba com nossa incipiente democracia. E para terminar, lembro que no colégio eu era chamado de “branquelo”. Ninguém foi punido, muito menos o colégio. E a chuva, gente? O “mundo” está seco como língua de papagaio...

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