Cardozo promete investigar vazamento de delação premiada em revista

Medida será tomada devido informações divulgadas no último fim de semana serem frutos de um depoimento prestado em sigilo legal

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, lamentou nesta terça-feira (9) o vazamento de informações obtidas pela Justiça, por meio da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e disse que a Polícia Federal (PF) irá investigar o caso. Segundo Cardozo, as informações divulgadas no último fim de semana pela revista Veja são fruto de um depoimento prestado em sigilo legal, e a PF irá apurar a hipótese de “fato delituoso” e responsabilizar os autores.

“Esse vazamento de notícias, ou pretenso vazamento de notícias, é sempre algo nocivo, é algo que caracteriza uma violação manifesta à lei. Nessa perspectiva é que a PF abriu inquérito para apurar as notícias que falam de informações que estão em um inquérito que corre sob sigilo legal. Eu, sinceramente, espero - sei que não é fácil -, mas que se encontre as pessoas responsáveis, porque isso traz grande dano à sociedade e às pessoas que podem não ser condenadas posteriormente”, disse Cardozo logo depois da cerimônia de posse do novo ministro do Superior Tribunal de Justiça, Luiz Alberto Gurgel de Faria.

O ministro da Justiça disse ainda que solicitou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acesso ao depoimento de Paulo Roberto Costa na delação premiada para “tomar a decisão de abrir processo administrativo ou medidas corretivas, de acordo com os fatos narrados”. No entanto, segundo ele, Janot ainda não deu resposta sobre a solicitação.

“Na verdade, foi encaminhado ao procurador-geral da República porque, como sabemos, o juiz de primeira instância, se correta a notícia divulgada, não poderia homologar a delação premiada, porque haveria foro privilegiado de algumas das pessoas mencionadas. E não estando ainda o inquérito no Supremo Tribunal Federal, pedimos ao procurador-geral que tomasse as providências para que tivéssemos acesso a isso. Sempre deixando claro: desde que a lei assim o permita”, explicou.

O ministro negou ainda que tenha recebido ligações das autoridades relacionadas na matéria da revista Veja, entre as citadas pelo ex-diretor da Petrobras como beneficiadas por esquema de corrupção na estatal.

No Congresso, o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as denúncias de corrupção na Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), deve se reunir amanhã (10) com as lideranças partidárias para definir como a comissão irá atuar no que se refere à delação premiada de Costa. Há requerimento para ser votado na CPMI, que pede acesso à transcrição do depoimento, pelos membros da comissão. Já estão disponíveis aos membros da CPMI as informações sobre quebra dos sigilos telefônicos de Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e mais três pessoas envolvidas na Operação Lava Jato.

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