Brasil enfrenta a Sérvia sonhando com pódio após 36 anos

Após vitória espetacular sobre a algoz Argentina, seleção brasileira luta para figurar entre as quatro melhores equipes do planeta

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Jogadores brasileiros querem seguir fazendo história em solo espanhol
Gaspar Nóbrega/Inovafoto
Jogadores brasileiros querem seguir fazendo história em solo espanhol

Quando a seleção brasileira masculina de basquete embarcou para a disputa da Copa do Mundo de basquete, na Espanha, muito se questionava sobre a capacidade dos comandados de Rubén Magnano. Todos os jogadores tinham na ponta da língua um discurso positivo, de que aquela equipe seria capaz de chegar às finais do torneio, e até mesmo 'beliscar' uma medalha. Pois bem. A missão, que para muitos parecia impossível, está bem próxima de ser concluída com êxito.

Após uma vitória espetacular sobre a algoz Argentina no último domingo, a seleção brasileira encara nesta quarta-feira, às 13h (de Brasília), a Sérvia, em Madri, pelas quartas de final da Copa do Mundo de basquete. Um triunfo sobre o rival europeu, que já foi batido pelos brasileiros na fase de grupos, recoloca o país entre as quatro maiores potências da modalidade após 28 anos. Mais do que isto, mantém viva a esperança de a equipe deixar a Espanha com uma medalha na bagagem, outra missão que não é concluída pelo selecionado verde e amarelo desde o Mundial das Filipinas, em 1978, quando capturou o bronze após uma vitória épica sobre a Itália.

“É concentração e confiança no trabalho que foi desenvolvido nesses 40 dias. O momento chegou. Deus nos prepara as coisas, mesmo com as calúnias e perseguições que tivemos. Sei que essa geração é vencedora, temos talento e vamos conseguir nossos objetivos”, diz o confiante pivô Nenê, um dos jogadores mais criticados antes da bola subir na Espanha.

Mas para superar a geração de Marcel, Hélio Rubens, Marquinhos, todos comandados pelo lendário Ary Vidal, terceiros colocados há 36 anos, a atual seleção brasileira terá que se impor frente à Sérvia, adversário que possui um garrafão forte, liderado pelo gigante Miroslav Raduljica, e um jogo no perímetro muito efetivo puxado por Milos Teodosic e Bogdan Bogdanovic.

“Vamos tratar de fazer um grande jogo e seguir com nosso sonho que é ganhar uma medalha neste Mundial. A Sérvia é um adversário duro, tem um poder ofensivo muito grande, mas estamos preparados para jogar e fazer o melhor para seguir em frente na competição”, afirmou o pivô brasileiro Anderson Varejão, um dos destaques brasileiros na Espanha.

Quem passar no duelo entre brasileiros e sérvios enfrenta o vencedor de Espanha e França, na próxima sexta-feira, às 17h (de Brasília), em Madri. Na outra chave, Estados Unidos e Lituânia reeditam a semifinal do último Mundial, na quinta-feira, às 16h, em Barcelona.

Veja a cesta épica de Marcel no estouro do cronômetro e do meio da quadra, em 1978: 

 

Vitória no primeiro encontro é página virada

E engana-se quem pensa que a vitória obtida em cima dos sérvios na primeira fase, por 81 a 73, em Ganada, “ilude” os jogadores brasileiros. Todos estão convictos de que agora o quadro será bem diferente.

"Com certeza será um grande jogo. Fizemos uma boa partida na primeira fase contra eles, mas agora é tudo diferente. Conhecemos melhor os jogadores deles e da mesma forma eles sabem como atuamos. Eles vão querer ganhar e nós também. E vai vencer aquele que tiver com mais vontade. Com toda certeza estaremos com mais vontade de ganhar do que eles", afirmou o ala-armador Leandrinho Barbosa. 

Opinião também compartilhada pelo treinador Rubén Magnano, que prepara sua equipe para um duro duelo físico em todas as extensões da quadra. "A Sérvia é uma grande seleção europeia, com jogadores altamente técnicos e que não podemos ficar imaginando aquela vitória em Granada. É outra situação e outra história", afirmou o comandante. 

A atenção redobrada por parte dos brasileiros é fruto da vitória sérvia sobre o Grécia, também no último domingo, por 90 a 72. Os gregos finalizaram a primeira fase como primeiros colocados do Grupo B, exatamente à frente de Croácia, Argentina e Senegal, e não resistiram à performance dominante dos rivais europeus. 

“Vai ser um jogo diferente, com uma pontuação mais baixa. Eu não acho que nenhum dos dois times vai ter uma grande vantagem. Quando se trata de um jogo como este, as defesas são fortes e as partidas são mais ponto a ponto. Temos que respeitar a Sérvia. A motivação deles é muito alta, ainda mais depois da grande vitória que eles tiveram contra a Grécia. Temos de estar muito focado para conseguir essa vitória”, apontou Marcelinho Huertas, capitão brasileiro. 

Curiosidade. A última vez que a seleção brasileira terminou entre as quatro primeiras colocadas de um Mundial foi exatamente na Espanha, em 1986. Naquela edição, o Brasil perdeu a semifinal para os Estados Unidos, e também saiu derrotado na disputa do bronze após um complicado duelo frente aos iugoslavos. 

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