Marina usa fala de Lula para rebater Dilma sobre Banco Central

Candidata leu um trecho de declaração recente em que o ex-presidente disse que "não tem nenhum lugar do mundo em que o Santander esteja ganhando mais"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) recorreu a declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para rebater os ataques da campanha da presidente Dilma Rousseff, que a acusa de querer "entregar" o país a banqueiros.

Marina citou Lula em dois momentos de entrevista que concedeu nesta terça-feira (9) em Belo Horizonte. Com duas laudas escritas em mãos, chegou preparada para responder a acusação do programa petista, que relaciona a proposta de autonomia do Banco Central defendida pelo PSB à concessão de poder excessivo ao setor bancário.

Marina classificou a afirmação como "acusação leviana" e citou números de lucros dos bancos nas gestões do PSDB e do PT no Planalto.

"No governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, os bancos tiveram, em valores atualizados, lucros de R$ 31 bilhões. No governo do presidente Lula, R$ 199,46 bilhões já foram entregues aos bancos", afirmou.

Em seguida, Marina leu um trecho de declaração recente de Lula em que o ex-presidente disse que "não tem nenhum lugar do mundo em que o Santander esteja ganhando mais do que no Brasil". O presidente fez a afirmação em julho, ao criticar um comunicado do banco que previa deterioração na economia brasileira em caso de reeleição de Dilma.

"Lula disse isso em 27 de julho de 2014. Ele mesmo é que está sendo pego pelas suas próprias palavras", afirmou Marina.

A ex-senadora disse que Dilma não cumpre a "Carta ao Povo Brasileiro", de 2002, em que o então candidato Lula assumiu o compromisso de manter os pilares da política macroeconômica vigente à época.

"Tudo isso foi o compromisso que eles assumiram, que infelizmente no governo da presidente Dilma não está acontecendo. A inflação voltou, os juros são altíssimos. [...] Eles se comprometeram a fazer o Brasil crescer. O país não tem credibilidade para que se tenha investimentos", disse.

AUTONOMIA DO BC

A candidata, que lidera as pesquisas de opinião ao lado de Dilma, defendeu a proposta de autonomia do Banco Central que consta de seu programa de governo. Disse que a medida visa controlar a inflação, para que o país possa ter credibilidade e não fique "a serviço de um grupo ou de um partido".

"A autonomia de fato sempre existiu. Ela está corroída agora por causa da contabilidade criativa que o governo faz, do controle artificial da inflação, da baixa credibilidade que tem, baixando e diminuindo os investimentos", disse ela, citando em seguida as denúncias de corrupção na Petrobras.

"O Banco Central autônomo é para ter autonomia dos grupos que acabaram com a Petrobras. O Banco Central autônomo é para proteger os interesses da sociedade", completou.

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