Grupo que insultou negra pode responder por formação de quadrilha

A menina havia postado uma foto com o namorado - branco - no Facebook, e recebeu inúmeros insultos racistas e ofensivos em sua página

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Jovem negra posta foto com namorado branco e sofre racismo no Facebook
Reprodução
Jovem negra posta foto com namorado branco e sofre racismo no Facebook

O caso dos insultos dirigidos a uma jovem negra que postou uma foto no Facebook com o namorado, que é branco, em Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, está prestes a ser concluído. O delegado que está a frente do caso virá a Belo Horizonte na próxima semana, com todos os documentos compilados durante as investigações para apresentá-los na Delegacia de Crimes Cibernéticos e pedir a prisão preventiva dos suspeitos, que podem responder por formação de quadrilha.

Segundo o delegado de Muriaé, Eduardo Freitas da Silva, o trabalho de investigação está sendo realizado em parceria com a Polícia Civil de São Paulo, já que foi constatado que a maioria dos suspeitos é de lá.

Foram levantados cerca de 50 suspeitos, entre homens e mulheres, com idade entre 15 a 20 anos, e os insultos ao casal de Muriaé, não foram um caso isolado. “De acordo com o nosso levantamento, esse grupo já atacou outras pessoas, com os mesmos insultos de cunho racista e palavras injuriosas. Mas nestes casos, as vítimas não quiseram se identificar nem denunciaram esses ataques”, explicou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, os últimos levantamentos estão sendo fechados para que os documentos possam ser reunidos.

“Estou fechando as representações para fazer os pedidos de prisão preventiva com base no crime de formação de quadrilha. Vou fazer o máximo possível para convencer o juiz de aceitar o pedido de prisão, pelo menos, para as lideranças deste grupo. Neste momento não caberá a prisão por crime de injúria racial, porque não houve flagrante. Mas casos isolados, de pessoas que não participam deste grupo de disseminação de racismo, mas que insultaram a jovem na rede social, mesmo assim, poderão ser enquadrados no crime de injúria sim, e essas pessoas poderão ser indiciadas”, explicou.

O caso

No dia 17 de agosto, a jovem D.M., que é negra, postou no Facebook uma foto em que aparece com o namorado, L.F, que é branco. A postagem despertou imediatamente uma sequência de comentários racistas como o do perfil Capivara Vuadora, que postou: "Onde comprou essa escrava?", "Me vende ela", "Café com leite".

As ofensas fizeram com que a vítima retirasse sua página pessoal do ar. No dia 26 de agosto ela registrou a ocorrência e no dia seguinte, prestou depoimento na delegacia. 

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